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Cultura

Morre Jimmy Cliff, voz maior do reggae jamaicano e símbolo global de resistência negra

Jimmy Cliff, ícone do reggae e voz histórica da diáspora negra, morreu aos 81 anos após uma convulsão seguida de pneumonia. Sua obra atravessou gerações e projetou a Jamaica como potência cultural global.

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Jimmy Cliff, lenda do reggae, morreu aos 81 anos. De acordo com comunicado divulgado pela mulher do cantor, Latifa, o músico sofreu uma convulsão seguida de pneumonia. A morte de um dos maiores representantes da música jamaicana e da cultura negra global mobiliza homenagens no Caribe, na África, no Brasil e em toda a diáspora.

Crédito: Jimmy Cliff em performance histórica, no auge de sua energia e expressividade.

Nascido James Chambers, Cliff cresceu em Somerton, na Jamaica, num ambiente de muitas limitações materiais, mas permeado de ritmo, espiritualidade e resistência. Com apenas 14 anos, já gravava suas primeiras canções. Aos 20, era referência nacional. Aos 28, estaria prestes a protagonizar o papel que mudaria sua vida e o destino do reggae.

The Harder They Come: o filme que abriu o reggae para o mundo
Em 1972, Cliff estrelou “The Harder They Come”, filme que se tornaria uma das obras mais importantes da cultura negra global. Sua atuação como Ivan Martin — jovem jamaicano que tenta sobreviver a um sistema desigual e violento — revelou ao mundo a alma da Jamaica.

O filme:

  • apresentou o reggae para Europa e Estados Unidos;
  • ajudou a consolidar o movimento Rastafari;
  • abriu caminho para Bob Marley e Peter Tosh;
  • tornou-se símbolo da resistência caribenha;
  • entrou para a história do cinema negro internacional.

Uma obra que atravessou gerações
Jimmy Cliff construiu um dos catálogos mais importantes da música negra no século XX, com hinos que seguem vivos até hoje:

  • “Many Rivers to Cross”
  • “You Can Get It If You Really Want”
  • “I Can See Clearly Now”
  • “Sitting in Limbo”
  • “Wonderful World, Beautiful People”

Essas músicas ultrapassaram fronteiras, viraram trilhas de vida e ecoaram em comunidades negras no Brasil, no Caribe, na África e nos EUA.

Caribe + Bahia: a travessia musical que arrastou multidões
Jimmy Cliff também deixou uma marca profunda no Brasil. Em 1980, realizou uma turnê histórica ao lado de Gilberto Gil, arrastando multidões em apresentações — incluindo o lendário show da Fonte Nova, em Salvador. A parceria entre os dois artistas não apenas lotou estádios, como consolidou o reggae no país e se tornou referência para toda uma geração. Até hoje, músicos brasileiros citam essa colaboração como um encontro monumental entre Caribe e Bahia, dois pilares centrais da cultura negra mundial.

Crédito: Acervo Folha / Jimmy Cliff e Gilberto Gil em encontro marcante da turnê de 1980.

A importância de Jimmy Cliff para a Lente BNB
Jimmy Cliff é um dos pilares da travessia cultural negra moderna. Sua obra representa:

  • A arte como força política: Cliff canta desigualdade, fé, luta e sobrevivência.
  • A diáspora conectada: sua música une Jamaica, África e Américas.
  • A denúncia do colonialismo por meio da poesia: seu trabalho transformou dor em mensagem.
  • A Jamaica como potência negra mundial: Cliff ajudou a virar do avesso a lógica cultural eurocêntrica.
  • Esperança como tecnologia de resistência: “Many Rivers to Cross” é um dos maiores hinos de persistência da cultura negra global.

Reconhecimento e influência
Cliff recebeu o Jamaican Order of Merit e foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame em 2010. Sua carreira influenciou gerações de artistas negros, jamaicanos, africanos e brasileiros.

 

Por: Redação Black News Brasil

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