Cultura
COP30 termina esvaziada após veto ao fim dos combustíveis fósseis e expõe fratura global
A COP30 terminou com veto de Arábia Saudita, Rússia e petroestados ao fim dos combustíveis fósseis. A presidência brasileira salvou o encontro com uma coalizão voluntária, mas Belém expôs os limites do sistema multilateral.
A COP30, prevista para encerrar na sexta-feira, estendeu-se até a noite deste sábado (22/11) após um bloqueio diplomático liderado por Arábia Saudita, Rússia e outros grandes produtores de petróleo. O grupo vetou qualquer referência obrigatória ao phase-out — eliminação gradual dos combustíveis fósseis — no texto final, forçando a presidência brasileira a recuar para evitar o colapso total da conferência.
Os Fatos
- O veto:
- Negociadores ligados ao bloco fóssil rejeitaram o termo “eliminação”, insistindo que a COP deveria focar apenas em “redução de emissões”. A manobra, típica de petroestados, protege diretamente a indústria petrolífera global.
- A manobra brasileira:
- Com a conferência travada, o governo Lula — por meio da ministra Marina Silva — articulou uma saída diplomática de última hora: uma coalizão voluntária paralela. Cerca de 80 países, incluindo União Europeia e nações insulares, firmaram compromissos próprios de transição energética fora do texto oficial.
- O documento final:
- O “Pacote de Belém” reforça a necessidade de triplicar o financiamento para adaptação, menciona a “transição justa” e amplia mecanismos de financiamento climático. Porém, falha no ponto central: o fim dos combustíveis fósseis.
Conclusão da Lente BNB: Marina segurou o que dava para segurar
A Lente BNB vê o desfecho da COP30 como uma demonstração clara dos limites do sistema multilateral, dominado pelo poder econômico dos grandes produtores de petróleo. Mas também revela algo que o noticiário tradicional frequentemente ignora: a atuação decisiva do Brasil e, especialmente, de Marina Silva para evitar o colapso total da conferência.
O papel de Marina Silva — liderança do Sul Global
Enquanto petroestados travavam a negociação, Marina atuou como uma das poucas figuras capazes de costurar confiança entre países tão distintos. Sua legitimidade internacional não surgiu agora:
- mais de 30 anos de atuação climática;
- vencedora do Champions of the Earth, maior prêmio ambiental da ONU;
- responsável por reduzir o desmatamento em quase 80% no período 2004–2007;
- referência moral em negociações globais desde o Acordo de Paris (2015);
- respeitada tanto por países ricos quanto por nações vulneráveis.
Marina chegou a Belém com um capital político que poucos atores do Sul Global possuem.
O esforço brasileiro para salvar a COP
Com a conferência prestes a implodir, Marina articulou a criação da coalizão voluntária de transição energética — uma alternativa para desviar do bloqueio russo-saudita e impedir que a COP30 saísse da história como um fracasso completo.
Essa articulação evitou:
- o rompimento definitivo entre países ricos e pobres,
- um desastre diplomático para o Brasil,
- e a deslegitimação total do sistema climático da ONU.
O gesto também preservou a imagem brasileira como liderança moral no tema climático — crucial para a diplomacia de Lula no G20, nos BRICS e no Itamaraty.
A hipocrisia global exposta
A Lente BNB destaca o contraste absurdo:
- Cobra-se do Brasil — país em desenvolvimento — o fim do desmatamento, o que afeta populações pobres e indígenas.
- Enquanto isso, os maiores produtores de petróleo do mundo se recusam a cortar a raiz do problema: o petróleo.
A COP30 explicita a lógica histórica: os custos da crise climática recaem sobre os pobres, enquanto o lucro permanece com os ricos.
Conclusão: Marina segurou o que dava para segurar
Belém não será lembrada como a COP da virada.
Mas também não será lembrada como a COP do fracasso absoluto.
Em uma arena dominada por trilhões do lobby fóssil, ela conseguiu evitar o colapso total, preservou a posição brasileira e mostrou que o Sul Global ainda pode propor soluções quando o Norte falha.
Por: Redação Black News Brasil
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