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Política

A “Operação Tartaruga”: Oposição articula manobra para travar Messias no STF

A indicação de Jorge Messias ao STF encontrou resistência imediata na CCJ. A oposição articula uma manobra para adiar a votação e pressionar o governo. A Lente BNB analisa o embate político e institucional.

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Foto: Givaldo Barbosa / O Globo

A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), oficializada nesta sexta-feira, já encontrou seu primeiro obstáculo concreto: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Fontes ouvidas pelo Black News Brasil afirmam que líderes da oposição iniciaram, ainda pela tarde, a articulação de uma “operação tartaruga” para atrasar a análise do nome.

O objetivo da estratégia é impedir que a votação aconteça antes do recesso parlamentar. Embora Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da CCJ, tenha sinalizado celeridade, ele enfrenta forte pressão da ala bolsonarista, que pretende usar todos os instrumentos regimentais para desgastar o governo.

A ofensiva se divide em dois movimentos principais:

  • Pedido de vista prolongado — iniciativa que trava a pauta por dias ou semanas sob a justificativa de “aprofundar” a análise do currículo do indicado.
  • Sabatina ideológica — promessa de transformar a sessão em um confronto político, pautado por temas de costumes e debates morais, numa tentativa de criar um terceiro turno eleitoral.

Lente BNB: o que realmente está em disputa
Sob a Lente BNB, a resistência a Messias vai além da disputa partidária imediata. A reação da oposição reflete o receio de mudança no perfil da Corte.

Messias, embora não represente a demanda histórica por uma mulher negra no STF — expectativa frustrada por movimentos sociais —, é associado ao campo garantista e ao entendimento de que a soberania nacional deve guiar decisões estruturais. Para setores conservadores do Senado, qualquer nome que aponte para um STF mais atento a direitos, políticas sociais e ao equilíbrio federativo é suficiente para acender o sinal de alerta.

A “operação tartaruga”, portanto, não é simples burocracia: é o uso da máquina legislativa como forma de pressão política. É uma tentativa de limitar o alcance do governo Lula sobre o Judiciário e de preservar o status quo punitivista que domina parte das estruturas de poder em Brasília.

Mais que a análise de um currículo, o que se desenha é uma disputa pelo futuro da governabilidade judicial do país — e pela direção ideológica do Supremo na próxima década.

 

Por: Redação Black News Brasil

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