Economia
Copom mantém Selic em 15%, maior taxa em 20 anos, e juros altos penalizam a baixa renda
BC mantém taxa básica de juros em 15% pela 4ª vez, no maior nível em 20 anos. O comunicado fala em manutenção ‘prolongada’, penalizando o crédito e a população de baixa renda.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira (10), por unanimidade, manter a taxa básica de juros da economia em 15% ao ano, pela quarta vez consecutiva. A taxa Selic permanece no maior nível dos últimos 20 anos.
Decisão unânime do Banco Central mantém a Selic no pico histórico. A taxa penaliza diretamente o acesso ao crédito e o desenvolvimento da população mais vulnerável.
A decisão reflete a postura do BC em um cenário de “elevadas incertezas” que exigem “cautela” na condução da política monetária. O comitê avalia que manter a Selic em 15% “por período bastante prolongado” é adequado para que a inflação se ajuste à meta.
O Peso dos Juros Altos
Apesar da inflação oficial (IPCA) ter ficado em 0,18% em novembro, atingindo o menor nível para o mês em 7 anos, a manutenção da Selic em 15% tem um impacto profundo e desigual na sociedade:
- Vulnerabilidade e Inflação: A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que têm efeitos principalmente sobre a população mais pobre.
- Desaceleração Proposital: O BC tem dito claramente que um ritmo menor de crescimento da economia (desaceleração) faz parte da estratégia de conter a inflação no país.
- Expectativas Elevadas: O cenário segue marcado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”. As projeções do mercado para a inflação oficial em 2025 e nos anos seguintes (até 2028) estão acima da meta central de 3% buscada pelo BC.
Ao indicar que a política monetária seguirá mais rígida por um período prolongado, o Copom mantém o tom duro e não sinaliza cortes na taxa de juros. O mercado financeiro já projeta o início de um corte na taxa apenas em março de 2026.