Africa
Lula sela pacto com UE e foca na parceria com a África
No Rio de Janeiro, Lula e Ursula von der Leyen celebram fim de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE. O acordo histórico é visto como alavanca para fortalecer o comércio com blocos africanos e a reindustrialização.
Rio de Janeiro (RJ), 16/01/2026 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula van der Leyen, para reunião no Palácio do Itamarati antes da assinatura do acordo Mercosul – União Européia. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Rio de Janeiro a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, consolidando o fim de uma jornada que o mandatário brasileiro definiu como “25 anos de sofrimento e tentativa”. O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) será oficialmente assinado neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai, criando uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, com um PIB de US$ 22 trilhões e reunindo cerca de 720 milhões de pessoas.
Para o BlackNews Brasil, este movimento não é apenas uma vitória diplomática com o Norte, mas uma peça fundamental para o Brasil consolidar sua liderança internacional colocando a África como parceira prioritária. Ao garantir que o Mercosul não seja apenas um exportador de commodities, mas um produtor de bens industriais de valor agregado, Lula abre caminho para que o Brasil integre suas cadeias produtivas com os mercados africanos em ascensão.
O Acordo em Números e Impactos
O tratado prevê reduções tarifárias drásticas que impactarão o mercado brasileiro e suas relações externas:
- Indústria: O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da UE, incluindo automóveis — que hoje possuem taxa de 35% — ao longo de 15 anos.
- Agronegócio: A UE eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, o que inclui uma cota de 99.000 toneladas métricas de carne bovina.
- Proteção de Origem: Cerca de 350 indicações geográficas serão reconhecidas, garantindo a exclusividade de termos como “Parmigiano Reggiano” para queijos específicos da Itália.
A África Acima do Sul Global: Parcerias Estratégicas
A diplomacia brasileira utiliza o peso deste acordo para acelerar parcerias com blocos comerciais africanos, focando na soberania econômica e na conexão profunda com a diáspora:
- SACU (União Aduaneira da África Austral): O Mercosul busca a expansão do acordo de preferências tarifárias com África do Sul, Namíbia, Botswana, Lesoto e Eswatini para integrar tecnologias de transição energética e digital.
- CEDEAO (África Ocidental): Através da CPLP e laços com países como Nigéria e Gana, o Brasil projeta o uso do novo fôlego industrial para exportar máquinas e serviços que apoiem a segurança alimentar africana.
- União Africana (UA): O Brasil defende que o modelo Mercosul-UE impulsione parcerias que garantam a isenção de impostos sobre minerais críticos, fundamentais para a indústria de baterias.
Sustentabilidade e Soberania
Apesar das críticas de grupos ambientalistas que temem o avanço do desmatamento na Amazônia, o governo brasileiro reafirmou que o acordo contempla padrões elevados de defesa do meio ambiente e direitos trabalhistas. Para o Brasil, o fortalecimento das relações com a África é a garantia de que o país não ficará dependente apenas de grandes potências tradicionais, diversificando suas relações comerciais em um cenário de multilateralismo.
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