Lente BNB
UE sanciona militares ligados a Ruanda por apoiar o M23 e intensifica pressão sobre a crise na RDC
A União Europeia impôs sanções contra militares ligados a Ruanda pelo apoio ao M23, somando-se às medidas dos EUA. A crise se agrava em Goma, com milhões de deslocados e bloqueio de ajuda. A Lente BNB expõe o “genocídio mineral”.
A crise militar e humanitária no leste da República Democrática do Congo (RDC) atingiu um marco internacional. Em 22 de novembro, a União Europeia anunciou sanções — incluindo congelamento de bens e restrições de viagem contra comandantes militares ligados ao governo de Ruanda e acusados de apoiar o grupo rebelde M23. Autoridades europeias descrevem a medida como histórica.
O M23 e o avanço sobre Goma
O M23, grupo rebelde ativo desde 2012 e reestruturado com apoio externo confirmado por relatórios internacionais, intensificou sua ofensiva desde o início de 2025. Os ataques pressionam diretamente Goma, capital da província de Kivu do Norte, colocando cidades sob risco de cerco e desencadeando novas ondas de deslocamento.
O Conselho de Segurança da ONU já pediu a interrupção imediata da ofensiva, sem efeito prático até agora.
Pressão internacional: UE + Estados Unidos
As sanções da UE reforçam a linha adotada pelos Estados Unidos, que em fevereiro de 2025 impuseram restrições financeiras e de viagem a líderes do M23 e a quadros ruandeses envolvidos no apoio militar ao grupo.
Para Kinshasa, esse alinhamento entre UE e EUA confirma o que o governo denuncia há anos: a guerra no leste do Congo é alimentada por agentes externos motivados pela disputa por coltan, cobalto e ouro — minerais essenciais para a indústria tecnológica global.
Lente BNB: O custo do nosso celular
A Lente BNB rejeita a narrativa de “conflito tribal” e coloca o foco onde ele deve estar: esta guerra é parte do sistema global de tecnologia.
Trata-se do que especialistas chamam de Genocídio Mineral: vidas negras sacrificadas para sustentar a cadeia produtiva de smartphones, baterias e dispositivos eletrônicos.
Os números expõem a tragédia:
- 6,4 milhões de pessoas deslocadas internamente (novembro de 2025)
- comunidades sitiadas recorrendo a ração animal para sobreviver
- estradas bloqueadas, vilarejos destruídos e ajuda humanitária impedida de chegar
Ao mesmo tempo, países ricos e empresas multinacionais continuam garantindo acesso aos minerais críticos enquanto exigem “estabilidade” na região.
A blindagem global
Apesar de representar avanço diplomático, a sanção da UE chega tarde. A demora da comunidade internacional em punir Estados que alimentam o M23 expõe a contradição central desta guerra:
A prioridade mundial segue sendo o acesso a minerais estratégicos — não a proteção da população negra da África Central.
Ruanda, visto por aliados ocidentais como parceiro regional estável, recebe há anos uma blindagem política que dificulta respostas diretas. A hesitação global permitiu a escalada do M23, e só agora medidas concretas começam a surgir.
Por que isso importa para o Brasil
O Brasil mantém relações estratégicas com a África Central e participa de organismos internacionais que discutem segurança e desenvolvimento no continente. A instabilidade na RDC afeta:
- cadeias de suprimentos globais
- preços de minerais estratégicos
- agendas do BRICS ampliado
- a política externa brasileira de mediação e multilateralismo
A crise exige que o Itamaraty acompanhe com atenção o impacto regional e os desdobramentos das sanções da UE e dos EUA.
Por: Redação Black News Brasil
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