Benin

Benim divulga mortes e detenções após golpe frustrado

Governo do Benim reporta mortos e 12 detenções após a intentona de domingo. ONU condena ataques à democracia, enquanto a população reafirma rejeição a golpes militares.

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Militares golpistas tinham tomado a TV pública, mas a intentona fracassou

Benim: Governo confirma mortes e prisões após golpe falhado; tensão interna expõe fragilidade política
Por Redação Black News Brasil África Ocidental em Foco

O governo do Benim apresentou nesta segunda-feira (08) o balanço oficial da tentativa de golpe de Estado ocorrida no domingo, confirmando que a intentona militar resultou em mortes e na detenção de pelo menos 12 pessoas. O episódio expõe as fraturas de um país que precisa resolver suas próprias crises, sem esperar por salvadores externos.

Confronto Interno
Segundo o porta-voz do governo, a situação foi resolvida “em casa”: houve confrontos armados diretos na residência do Presidente Patrice Talon entre a Guarda Republicana (leal ao governo) e o grupo de militares dissidentes. O Conselho de Ministros reportou “vítimas de ambos os lados”, sem especificar o número exato de óbitos.

A operação foi liderada pelo tenente-coronel Pascal Tigri, que atualmente se encontra foragido. As forças de segurança nacionais iniciaram uma caçada para capturar os envolvidos, deixando claro que a disputa pelo poder está sendo travada bala a bala nas ruas de Cotonou.

Quem é o Governo Talon?
Para entender o que motivou a tentativa de rutura, é preciso olhar para a figura central do poder, sem filtros. Patrice Talon governa com um perfil que mistura modernização e punho de ferro.

O “Rei do Algodão”: Magnata do setor, Talon gere o país com lógica empresarial.

A Crítica Silenciada: Sob a sua gestão, o Benim — outrora visto como modelo de alternância de poder — viu a oposição ser sistematicamente asfixiada. Rivais políticos estão presos ou no exílio, e as leis eleitorais foram endurecidas para blindar o governo atual.

O Estopim: Esse cenário de fechamento democrático cria um barril de pólvora. A tentativa de golpe não surge do nada; é sintoma de um sistema onde o diálogo político foi substituído pela imposição.

O Povo e a Defesa da Estabilidade
Longe dos gabinetes internacionais, quem sente o peso da instabilidade é a população. Apesar das críticas ao autoritarismo de Talon, os cidadãos de Cotonou saíram às ruas para protestar contra o golpe.

O recado das ruas é pragmático: o povo sabe que a via militar na África Ocidental tem trazido mais caos do que soluções. A rejeição ao golpe não é necessariamente um cheque em branco para Talon, mas um grito de quem sabe que, na hora da crise, o povo beninense está por sua conta.

“Quase voltámos para a escuridão”, afirmou um cidadão durante os protestos, ciente de que a instabilidade econômica e social recairia sobre as costas dos trabalhadores, e não da elite política.

O episódio no Benim reforça que a soberania e a estabilidade do continente não virão de notas de repúdio externas, mas da própria organização interna. O governo Talon sobreviveu graças à sua guarda pretoriana, mas o aviso foi dado: um governo que fecha portas para a oposição política acaba abrindo janelas para a insurgência militar. O desafio agora é saber se o regime usará este episódio para dialogar ou para endurecer ainda mais a repressão.

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