África em Conflito
Nigéria enfrenta onda de massacres e terrorismo
Quase 200 mortos em ataques na Nigéria expõem avanço terrorista e crise humanitária. EUA ampliam presença militar em meio a interesse por metais raros.
A Nigéria enfrenta uma nova escalada de violência após ataques ocorridos entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2026, que deixaram quase 200 mortos nos estados de Kwara e Katsina. A ofensiva é considerada a mais letal na região nos últimos meses e evidencia o agravamento da crise de segurança no país.
Na noite de 4 de fevereiro, homens armados invadiram a comunidade de Woro, no estado de Kwara, executaram moradores, incendiaram casas e sequestraram dezenas de mulheres e crianças. No dia seguinte, 5 de fevereiro, novos relatos confirmaram o número elevado de vítimas e a devastação da cidade. Parte dos mortos foi enterrada em valas comuns devido à ausência de estrutura para funerais individuais. Dias após o ataque, focos de incêndio ainda eram visíveis.
Moradores e autoridades locais apontam que os agressores têm ligação com grupos afiliados ao Estado Islâmico. A região também registra atuação de Boko Haram e outras facções armadas. A violência combina terrorismo, disputas territoriais, sequestros para resgate e uso de dispositivos explosivos improvisados.
Em paralelo à crise interna, os Estados Unidos anunciaram em 10 de fevereiro de 2026 o envio de cerca de 200 soldados à Nigéria. Segundo o Pentágono, as tropas atuarão no treinamento das forças nigerianas e no compartilhamento de inteligência, sem participação direta em combates.
A ampliação da presença militar ocorre semanas após ações militares anteriores. Em 25 de dezembro de 2025, navios da Marinha dos EUA lançaram 16 mísseis Tomahawk contra alvos no noroeste da Nigéria, em operação relacionada ao combate a grupos extremistas.
O aumento do envolvimento internacional acontece em um contexto mais amplo de interesse estratégico. A Nigéria possui reservas relevantes de minerais estratégicos e metais raros utilizados na indústria tecnológica e na transição energética, o que amplia sua importância geopolítica.
A combinação entre avanço terrorista, fragilidade institucional e disputa internacional por recursos naturais coloca o país em um momento crítico. Enquanto operações militares e alianças estratégicas se intensificam, comunidades como Woro enfrentam as consequências imediatas da violência: mortes em massa, deslocamento forçado e insegurança contínua.
Fontes:
The New York Times (10/02/2026);
Al Jazeera (05/02/2026; 09/02/2026);
Reuters (04/02/2026).
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