Política
Câmara usa força contra Glauber Braga após denúncia de golpe
Deputado é retirado à força após protestar contra PL pró-Bolsonaro, que reduz pena do 8/1. O sinal da TV Câmara foi cortado, denunciando censura.
A Câmara dos Deputados viveu um episódio de uso de força e seletividade nesta terça-feira (09/12/2025). O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal após ocupar a cadeira da presidência no plenário.
O protesto do parlamentar foi motivado pelo anúncio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar a votação do projeto de lei que pode reduzir a pena de Jair Bolsonaro e outros condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro.
Dois Pesos, Duas Medidas
Ao ser retirado com as roupas rasgadas, Braga denunciou a discrepância no tratamento:
- Com aliados: O deputado criticou o fato de que, em agosto, parlamentares de oposição que obstruíram fisicamente a mesa por 48 horas não sofreram retirada forçada ou punição.
- Com a oposição: Desta vez, menos de uma hora de protesto foi suficiente para a ação da segurança.
Braga afirmou que a votação da sua cassação, pautada no mesmo dia, não é um fato isolado, mas faz parte de um “pacote golpista” que inclui a redução de pena de Bolsonaro (o “PL da Dosimetria”). O deputado afirmou que a ofensiva visa “ferir as liberdades democráticas”.
Censura na Câmara
Durante o tumulto, o sinal da TV Câmara foi imediatamente cortado e a imprensa foi retirada de forma obrigatória do plenário e da galeria, impedida de acompanhar a situação. Embora Motta tenha afirmado que apuraria os excessos à imprensa, o corte do sinal e o esvaziamento do plenário durante um ato de força policial no Congresso foram medidas inéditas.
O deputado Motta defendeu a ação em nota, dizendo que Braga desrespeitou o Poder Legislativo e que “extremismos testam a democracia todos os dias”