Política

Caso Master: Toffoli recua após embate com PF

O recuo de Toffoli no Caso Master expõe o perigoso precedente de centralizar provas no STF. O embate com a PF e a suposta associação com defesas motivam pedido de impeachment pela oposição no Senado.

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Nesta quarta-feira (14 de janeiro), o cenário jurídico em Brasília foi marcado por um embate direto entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF). O ministro Dias Toffoli reconsiderou a decisão de manter sob custódia do Supremo todo o material apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. Após forte resistência técnica da PF e um pedido formal do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro determinou a remessa dos bens e documentos à PGR.

A crise começou quando Toffoli ordenou que materiais sensíveis, como celulares e documentos, fossem “lacrados” e armazenados diretamente no STF, em vez de seguirem o fluxo padrão de perícia na Polícia Federal. Especialistas da corporação alertaram imediatamente que a falta de acesso técnico poderia resultar na perda irreversível de dados digitais, comprometendo a cadeia de custódia das provas.

O Precedente e o Embate com a PF

A conduta de Toffoli ao assumir a guarda direta de itens de luxo e dispositivos eletrônicos rompeu com a praxe do processo penal brasileiro. Para investigadores, o ato de sobrepor a autoridade do gabinete aos procedimentos periciais da PF cria um precedente arriscado de apropriação de inquéritos pelo magistrado. O recuo para o envio à PGR ocorreu apenas após Toffoli ser confrontado com a necessidade técnica de extração de dados para a formação da denúncia.

Munição para o Impeachment no Senado

A atuação de Toffoli no Caso Master forneceu o argumento central para que senadores da oposição protocolassem um pedido de impeachment contra o ministro. Os senadores Magno Malta, Eduardo Girão e Damares Alves sustentam que houve “desvio funcional grave” e violação aos princípios da moralidade e impessoalidade. A petição cita uma série de atos considerados atípicos, como a retirada da investigação da primeira instância e a realização de uma acareação polêmica durante o recesso forense.

O Caso Master em Números

A Operação Compliance Zero foca em esquemas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Os dados consolidados da operação são:

  • Bens Bloqueados: R$ 5,7 bilhões em ativos e valores;
  • Mandados: 42 ordens de busca cumpridas em cinco estados;
  • Principais Alvos: Nelson Tanure, João Carlos Mansur e Fabiano Zettel;
  • Valores em Espécie: Aproximadamente R$ 97,3 mil em dinheiro vivo contabilizados.

Este episódio consolida um ambiente de desconfiança institucional onde a autonomia das polícias é testada frente às prerrogativas da Corte. O desfecho da crise agora depende da velocidade com que a PGR processará as provas para evitar que o “precedente perigoso” se transforme em impunidade processual.

Em última análise, este cenário reforça a fragilidade do equilíbrio institucional em um período eleitoral, onde cada movimento do Judiciário é monitorado sob a lente da disputa política. O destino do Banco Master agora caminha em paralelo com a estabilidade das prerrogativas da Suprema Corte perante o Congresso Nacional.

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Fontes e Verificação
Links externos verificados
• UOL Política
uol.com.br
• Agência Brasil
ebc.com.br
• G1 Política
g1.globo.com
• CNN Brasil
cnnbrasil.com.br

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