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Educação & Sociedade

Morte de psicólogo baiano expõe a dor do racismo

Psicólogo Manoel Rocha Reis Neto foi encontrado morto no Recôncavo Baiano após relatar episódio de racismo no Carnaval. Caso provoca reflexão sobre saúde mental negra.

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Manoel Rocha Reis Neto, psicólogo de 32 anos e mestrando da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi encontrado morto em sua residência em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, na terça-feira, 17 de fevereiro. O caso foi registrado pela Polícia Civil como suicídio. O corpo foi sepultado em Amargosa, sua cidade natal, no dia 18 de fevereiro.

Horas antes de morrer, Manoel publicou nas redes sociais um relato sobre um episódio de racismo que afirmou ter sofrido em um camarote durante o Carnaval de Salvador. No texto, descreveu sensação de desumanização, constrangimento e desgaste emocional.

Fonte: Reprodução/Redes Sociais de Manoel Rocha Reis Neto (@manoelnetopsi).

A morte provocou forte comoção na comunidade acadêmica e profissional.
A dor psíquica de pessoas negras frequentemente é invisibilizada. Especialistas em saúde mental apontam que o racismo cotidiano não é apenas um episódio isolado: ele atua como fator cumulativo de estresse, exaustão emocional e sensação de não pertencimento.

Não é possível afirmar que o episódio relatado tenha sido a causa direta da morte. No entanto, o caso reacende um debate estrutural: qual é o impacto contínuo da violência simbólica na saúde mental negra?

Manoel era psicólogo, pesquisador, homem negro, aprovado em mestrado, profissional reconhecido. Ainda assim, relatou sentir-se desumanizado.

Isso revela um ponto central: formação acadêmica, qualificação profissional e ascensão social não blindam corpos negros do racismo.

Segundo o relato publicado por ele, o episódio ocorreu no Camarote Ondina, em Salvador. Após sua morte, o camarote divulgou nota repudiando qualquer forma de discriminação.

A UFBA, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Regional de Psicologia da Bahia emitiram notas de pesar, destacando sua trajetória ética e seu compromisso com a equidade racial.
A Polícia Civil registrou o caso como suicídio e não informou indícios de crime.

A morte de Manoel não pode ser tratada apenas como um caso individual.
Ela expõe um fenômeno coletivo: o peso psicológico do racismo estrutural sobre homens e mulheres negras, inclusive aqueles que dedicam suas vidas à promoção da saúde mental.

O luto é pessoal.
Mas a reflexão é política.

O caso reforça a urgência de políticas públicas de saúde mental com recorte racial, ambientes institucionais seguros e responsabilização efetiva de práticas discriminatórias.

Fontes:
– Terra – Psicólogo e mestrando da UFBA morre no Recôncavo Baiano (20/02/2026)
– Metro1 – Relato de racismo em camarote de Salvador (20/02/2026)
– Conselho Federal de Psicologia – Nota de pesar (20/02/2026)
– Conselho Regional de Psicologia da Bahia – Nota de pesar (19/02/2026)

 

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