Uganda
Uganda corta internet e reprime oposição às vésperas de eleição
Sob comando de Yoweri Museveni, Uganda impõe apagão digital e perseguição política antes do pleito de 15 de janeiro, gerando alerta internacional sobre direitos humanos.
As autoridades de Uganda impuseram um bloqueio nacional da internet nesta terça-feira, dias antes das eleições presidenciais marcadas para 15 de janeiro. O apagão ocorre no momento em que o presidente Yoweri Museveni, de 81 anos e no poder há 40 anos, busca seu sétimo mandato consecutivo. O órgão regulador governamental instruiu as operadoras de redes móveis a bloquearem o acesso público a partir das 18h de terça-feira. A empresa de monitoramento NetBlocks confirmou posteriormente uma interrupção na conectividade em escala nacional.
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou duramente as autoridades ugandesas por criarem um ambiente de “repressão e intimidação generalizadas” antes da votação. Forças de segurança prenderam centenas de apoiadores da oposição e dispararam repetidamente balas de verdade e gás lacrimogêneo contra comícios pró-oposição. O principal desafiante de Museveni, o astro pop tornado político Bobi Wine, descreve sua candidatura como uma campanha contra a impunidade, embora não acredite na viabilidade de um pleito livre ou justo. Enquanto isso, Kizza Besigye, que desafiou o governo em quatro eleições anteriores, permanece preso sob a acusação de traição.
Além do corte tecnológico, o governo ordenou a interrupção das atividades de dois grupos locais de direitos humanos: a Chapter Four Uganda e a Human Rights Network for Journalists-Uganda. O Gabinete Nacional para ONGs acusou a Chapter Four de se envolver em atividades prejudiciais à segurança nacional, determinando a cessação imediata de suas operações. A Comissão de Comunicações de Uganda defendeu o bloqueio da internet como necessário para conter a desinformação e riscos de fraude eleitoral, enquanto o governo afirma que as forças de segurança agem para impedir condutas ilegais da oposição.
Esta não é a primeira vez que o país enfrenta tal cenário; Uganda também bloqueou a internet durante as últimas eleições, em 2021, em um processo marcado por violência estatal. Especialistas afirmam que o preço para o engajamento na oposição política tornou-se muito perigoso e alto sob o controle firme de Museveni sobre as alavancas do poder estatal. A estabilidade política regional e a integridade do processo democrático permanecem sob forte vigilância de observadores internacionais enquanto o país se aproxima das urnas.
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Fontes Utilizadas: Al Jazeera; Reuters; NetBlocks; Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos; International Crisis Group.
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