América do Sul
Argentina violenta e o oportunismo de Messi com a Lei Vini Jr
Argentina perde final com violência, expulsão de Enzo Fernández (que já cantou racismo contra franceses) e a tentativa de Messi de usar a Lei Vini Jr. para expulsar um espanhol. A lei criada para combater o racismo foi usada por quem sempre se omitiu.
Na final da Copa do Mundo de 2026, disputada neste domingo (19), a Argentina chegou como a seleção que havia sobrevivido a todas as adversidades. Saiu de campo, no entanto, como a equipe que jogou com violência, teve um jogador expulso por comportamento racista e viu seu principal astro se apequenar diante da oportunidade de usar o combate ao racismo como arma — algo que ele nunca fez quando realmente importava.
O jogo, que terminou com vitória da Espanha por 1 a 0, foi marcado por táticas de “spoiling” — a abordagem física e antijogo da Argentina. A estratégia argentina foi tão agressiva que resultou na expulsão de Enzo Fernández ainda no tempo regulamentar, aos 93 minutos, após o volante do Chelsea receber o segundo cartão amarelo.
Fernández carrega consigo o peso de uma polêmica racista que manchou a seleção argentina. Em 2024, durante as comemorações do título da Copa América, ele apareceu em uma transmissão ao vivo em que jogadores argentinos entoavam cânticos racistas e homofóbicos contra a seleção da França, com letras que atacavam a origem africana dos jogadores franceses.
Minutos depois da expulsão, durante uma discussão com o lateral espanhol Marc Cucurella, Messi apontou ao árbitro que o adversário teria coberto a boca com a mão — um gesto que, pela chamada “Lei Vini Jr.”, é passível de cartão vermelho. A regra foi criada após o argentino Gianluca Prestianni cobrir a boca para ofender Vini Jr. com termos racistas. Messi, que nunca usou sua influência para condenar o racismo da torcida argentina, tentou agora usar a ferramenta criada para combatê-lo como um artifício para obter vantagem. O pedido foi ignorado.
O silêncio cúmplice de Messi
Durante toda a Copa, o camisa 10 se manteve em silêncio diante dos episódios de racismo protagonizados por torcedores argentinos — contra o streamer IShowSpeed e contra a delegação do Egito. Como observou a Mídia Ninja, “o silêncio de Messi diante do racismo da torcida argentina não é uma simples omissão, é o atestado de que, no legado humano, ele corre o risco de ser o menor dos gigantes”.
Enquanto Messi tentava usar a lei contra o racismo para eliminar um adversário, a Espanha tinha em campo Nico Williams, filho de imigrantes de Gana, que deu a assistência para o gol do título. A ironia é cruel: o homem que nunca lutou contra o racismo tentou usar a ferramenta criada por sua vítima para vencer.
Lionel Messi foi neutralizado pelo sistema defensivo espanhol. Durante os 90 minutos regulamentares, os argentinos não conseguiram finalizar uma vez sequer. Messi deixou o MetLife Stadium em lágrimas.
Enquanto Messi amargava a derrota, Kylian Mbappé terminou a Copa como artilheiro isolado, com 10 gols, superando Messi e levando para casa a Chuteira de Ouro.
Lente BNB
A final da Copa do Mundo expôs o que a Lente BNB já denunciava: a Argentina é uma seleção construída sobre uma identidade que se pretende “branca” e europeia, que apaga suas raízes indígenas e africanas e naturaliza o racismo. Enzo Fernández, que cantou músicas racistas contra jogadores franceses de origem africana, foi expulso em campo — mas a expulsão não apaga o fato de que o racismo estrutural argentino esteve presente nas arquibancadas e na história do país.
Messi, anulado e em lágrimas, viu sua despedida das Copas ser marcada pela derrota para uma Espanha que tem em Nico Williams um filho da diáspora africana. E, enquanto a Argentina se apega a um passado colonial que a faz cantar músicas racistas, o mundo do futebol avança — e Mbappé, negro e francês, leva para casa a Chuteira de Ouro.
O silêncio de Messi diante do racismo da torcida argentina não é uma simples omissão: é o atestado de que, no legado humano, ele corre o risco de ser o menor dos gigantes.
Fontes consultadas
ge.globo: Análise: Argentina sobrevive por 106 minutos, mas não é salva por Messi e leva “olé” histórico (20/07/2026)
ge.globo: Caso de Vini Jr. e Mbappé motivou regra de expulsão para jogador que cobre a boca (20/06/2026)
Mídia Ninja: O silêncio de Messi escancara o racismo estrutural e a omissão (10/07/2026)
The Conversation: Aplicada na Copa 2026, ‘Lei Vini Jr.’ de combate ao racismo ainda não é unânime (08/07/2026)
Clube.FM: Enzo Fernández entra em lista de jogadores expulsos em finais de Copa (19/07/2026)
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