RDC (Congo)
Congo recebe novo chefe da MONUSCO sob pressão africana no conflito
Governo congolês e populações do leste acompanham nomeação do americano James Swan para missão de paz da ONU, enquanto crescem vozes que pedem mediação protagonizada por africanos para conflito que já dura décadas.
O governo da República Democrática do Congo e as populações do leste do país acompanham a chegada de um novo representante da ONU em meio a um conflito que já dura três décadas. O secretário-geral António Guterres nomeou o diplomata americano James Swan para chefiar a Missão de Estabilização da ONU no Congo (MONUSCO), substituindo a guineana Bintou Keita.
Swan chega com a missão declarada de supervisionar o cessar-fogo entre o governo de Kinshasa e o grupo rebelde M23, que desde 2025 controla vastas áreas ricas em coltan nas províncias de Kivu Norte e Kivu Sul. Traz na bagagem passagens pela Somália, Camarões e Djibuti, além de ter servido como embaixador dos EUA no próprio Congo entre 2013 e 2016.
A MONUSCO, sigla francesa para Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo, foi criada em 2010 para substituir uma missão anterior que atuava no país desde 1999. Seu mandato atual, renovado pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 2025 até 20 de dezembro de 2026, autoriza cerca de 11.500 capacetes azuis, 600 observadores militares e mais de 1.700 agentes de polícia no terreno. As prioridades declaradas são a proteção de civis, o apoio ao processo de desarmamento e a assistência à reforma do setor de segurança.
Na prática, porém, a presença da missão no leste do Congo é marcada por uma relação ambígua com as populações locais. Enquanto o governo de Kinshasa chegou a pedir sua saída em 2023, sob o argumento de que mais de duas décadas de atuação não haviam trazido estabilidade, a escalada recente dos combates com o M23 fez com que a mesma MONUSCO voltasse a ser vista como necessária. Seus efetivos, hoje, tentam monitorar um frágil cessar-fogo em meio a uma das crises humanitárias mais negligenciadas do continente.
A nomeação de Swan reacende um debate que atravessa a história recente do país: por que as soluções para os conflitos africanos continuam sendo desenhadas em Nova York, Washington ou Bruxelas? Enquanto a RDC enfrenta uma das piores crises humanitárias do continente, com milhões de deslocados e disputas por recursos minerais que abastecem a indústria global de tecnologia, mais uma vez um ocidental assume o comando de uma missão de paz.
O novo chefe da MONUSCO terá pela frente o desafio de equilibrar as pressões de Kinshasa, que acusa Ruanda de apoiar o M23, com as negativas de Kigali e a complexa teia de grupos armados que há décadas impedem a estabilização da região. Enquanto isso, nas minas de Rubaya, onde o solo guarda 15% do coltan mundial, homens, mulheres e crianças continuam extraindo a matéria-prima que move celulares e mísseis pelo mundo, sem que nenhuma resolução da ONU tenha mudado suas vidas.
Fontes: Nações Unidas, Radio Okapi, Actualite.cd
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