RDC (Congo)
Ebola na RDC: novo gestor é nomeado para conter avanço do surto que já deixou 702 mortos
O presidente da RDC, Félix Tshisekedi, nomeou o virologista Steve Ahuka como novo gestor de campo da resposta ao ebola. O surto já registra 1.926 casos confirmados e 702 mortes, com transmissão já registrada em cinco províncias. Mais de 300 pessoas já se recuperaram, segundo o Ministério da Saúde da RDC.
O presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, nomeou o virologista Steve Ahuka como novo gestor de campo da resposta ao ebola durante a 4ª reunião da Força-Tarefa Nacional, realizada na segunda-feira (13) em Kinshasa. A decisão ocorre em um momento crítico: o surto continua em expansão e se espalha para novas províncias do país.
Os números mais recentes apontam 1.926 casos confirmados e 702 mortes, com taxa de letalidade de 36,4%. A epidemia, causada pela cepa Bundibugyo — para a qual não há vacina ou tratamento específico —, concentra-se na província de Ituri, mas já se expandiu para Kivu Norte, Kivu Sul, Tshopo e Haut-Uele.
Steve Ahuka, que dirige o departamento de virologia do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), é um dos cientistas congoleses mais experientes no combate a vírus mortais. Médico formado em medicina tropical pela Universidade de Nagasaki e doutor pela Universidade de Montpellier, ele atuou na décima epidemia de ebola (2018-2020), a mais longa e letal da história do país, quando liderou a implantação de 13 laboratórios de campo e reduziu o tempo de diagnóstico para menos de quatro horas.
Apesar da gravidade da situação, há sinais de esperança. O ministro da Saúde, Dr. Roger Kamba, afirmou que mais de 300 pessoas já se recuperaram da doença, um número que, segundo ele, demonstra que “esta doença pode ser vencida”. O ministro ressaltou que a ampliação da capacidade de diagnóstico e do atendimento precoce tem contribuído para aumentar o número de sobreviventes. Os Estados Unidos, principais parceiros da RDC na resposta sanitária, já destinaram mais de US$ 600 milhões ao combate ao ebola.
A mudança no comando operacional da resposta ao ebola ocorre em um momento decisivo para a RDC, que busca conter o avanço da doença e evitar sua disseminação para novas regiões. A expectativa do governo é que a experiência acumulada por Steve Ahuka fortaleça a coordenação das ações de vigilância, diagnóstico e atendimento nas áreas mais afetadas.
Lente BNB
A nomeação de Steve Ahuka para liderar a resposta em campo reforça o protagonismo da ciência africana no combate a epidemias — um papel que a grande mídia internacional raramente destaca. Ahuka é herdeiro de uma tradição que remonta ao professor Jean-Jacques Muyembe, codescobridor do vírus ebola em 1976. Enquanto a comunidade internacional hesita, a RDC avança com seus próprios recursos e sua própria inteligência.
O surto avança em um território marcado pelo conflito com o grupo rebelde M23, que controla áreas ricas em coltan — mineral essencial para a indústria global de tecnologia. A combinação entre guerra e epidemia transforma uma crise sanitária já grave em uma catástrofe humanitária: enquanto o mundo consome tecnologia alimentada pelo coltan congolês, a população local morre de uma doença que poderia ser contida com acesso e investimento. A crise sanitária evidencia que saúde pública, soberania e exploração econômica continuam profundamente conectadas na região.
Fontes consultadas
ACP: Ebola en RDC: Dr. Steve Ahuka désigné manager terrain de la riposte (14/07/2026)
Opinion Info: Riposte contre Ebola en RDC: Félix Tshisekedi confie les opérations de terrain au Dr Steve Ahuka (14/07/2026)
DN: Ébola aumenta para 702 mortos e para 1.926 casos confirmados na RDCongo (13/07/2026)
Brasil 247: Número de mortes por ebola na RDC supera 700 (13/07/2026)
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