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Justiça

Oposição protocola CPI contra Moraes e Toffoli para desestabilizar STF

Senador Alessandro Vieira protocolou pedido com 35 assinaturas para investigar ministros no caso Master. Movimento é capitaneado pela oposição bolsonarista em ano eleitoral. Instalação depende de Alcolumbre.

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta segunda-feira (9) um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no escândalo do Banco Master.

O pedido reuniu 35 assinaturas – oito a mais que o mínimo de 27 exigido pelo regimento do Senado. A lista de apoiadores é composta majoritariamente por senadores da oposição, incluindo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sergio Moro (União-PR), Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES). Nenhum parlamentar do PT assinou o documento. O único senador da base governista a endossar foi Flávio Arns (PSB-PR).

A instalação da CPI, no entanto, depende do aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem resistido à ideia. A resistência de Alcolumbre se deve à sua proximidade com alguns ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes.

Paralelamente, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protocolou um pedido de impeachment contra Moraes, e o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), anunciou que protocolará outro nesta terça (10).

. O CONTRATO DO ESCRITÓRIO DE VIVIANE BARCI

No centro das investigações está o contrato do escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Nesta segunda (9), o escritório divulgou nota detalhando os serviços prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

Segundo o comunicado, uma equipe de 15 advogados realizou 94 reuniões de trabalho (79 presenciais na sede do banco e 13 com a presidência) e produziu 36 pareceres e opiniões legais sobre temas como compliance, governança, política de relacionamento com o poder público, aspectos previdenciários, trabalhistas e regulatórios.

O escritório afirmou que também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que atuaram sob sua coordenação. A nota enfatiza que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF.

O contrato, que previa remuneração total de R$ 129 milhões ao longo de três anos, foi encerrado em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez e o banco foi liquidado.

. A DISTORÇÃO DA GRANDE MÍDIA

Os grandes veículos apresentam a CPI como uma “investigação necessária para resgatar a confiança nas instituições”, repetindo o discurso do senador Alessandro Vieira. Omitem, porém, que o movimento é capitaneado pela oposição bolsonarista justamente quando a Segunda Turma do STF (com maioria indicada por Jair Bolsonaro) se prepara para julgar a prisão de Daniel Vorcaro na sexta-feira (13).

A imprensa também trata o contrato do escritório de Viviane Barci como “escândalo” e “fora do padrão”, ignorando que o escritório detalhou publicamente todos os serviços prestados, com números e datas, e afirmou categoricamente que nunca atuou perante o STF. Contratos de consultoria desse porte são comuns no mercado para bancos de grande porte.

Analistas da CNN apontaram que “nasceu morta a CPI” e que “o que vai mover o caso Master esse ano são dois fatores: Polícia Federal e André Mendonça – o que é bastante coisa se considerar que a cúpula dos três poderes não quer que essa investigação avance”.

. O JOGO REVELADO (LENTE BNB)

Quem ganha: A oposição bolsonarista, que tenta desestabilizar os ministros que barraram Jair Bolsonaro (Moraes) e aqueles que podem julgar o caso (Toffoli) em ano eleitoral. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, só assinou o requerimento depois que as 27 assinaturas mínimas já haviam sido obtidas – um claro cálculo eleitoral.

Quem perde: A população negra, que vê as instituições que protegeram a democracia serem atacadas enquanto suas conquistas (cotas, políticas sociais) são deixadas em segundo plano. A confiança no STF, essencial para a proteção de minorias, é erodida por uma ofensiva política.

O que está por trás: A mesma técnica da Lava Jato: usar CPIs e vazamentos seletivos para desgastar o governo e inviabilizar a reeleição de Lula. A CPI contra Moraes e Toffoli não é sobre investigar irregularidades – é sobre criar instabilidade institucional em ano eleitoral.

A seletividade da indignação: Cadê as manchetes sobre contratos de escritórios ligados a políticos bolsonaristas? Cadê o escrutínio sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o mesmo Banco Master? A grande mídia atua como caixa de ressonância da estratégia da oposição, omitindo os interesses por trás e distorcendo fatos para criar escândalo onde há legalidade.

Fontes consultadas: O Globo, Poder360, CNN Brasil, InfoMoney, Migalhas, Blog Dantas Barreto

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