Sudão
Guerra no Sudão: Drone mata 20 civis em mercado no Chade
Ataque aéreo atinge mercado fronteiriço, mata civis e incinera comboio humanitário vital. A fome vira arma de guerra na crise do Sudão.
A guerra que devasta o Sudão ultrapassou fronteiras físicas e éticas neste fim de semana. Um ataque de drone atingiu o mercado semanal de Adikon, situado em território do Chade próximo à passagem de Adré, na tarde da última sexta-feira (05/12), matando cerca de 20 civis e destruindo caminhões carregados com ajuda humanitária destinada ao Sudão.
O bombardeio não mirou alvos militares, mas sim uma área comercial civil e um corredor humanitário reconhecido pelo Conselho de Segurança da ONU. Segundo Badr El Din Dawoud, autoridade administrativa local, um drone — identificado preliminarmente como um Bayraktar de fabricação turca — disparou dois mísseis contra o mercado, resultando na morte de comerciantes chadianos e trabalhadores humanitários.
A Fome como Arma de Guerra
O ataque reduziu a cinzas caminhões que transportavam suprimentos essenciais para Babanousa e El Fasher, regiões onde a população enfrenta níveis catastróficos de fome. Tijani Karshoum, chefe da Administração Civil em Darfur Ocidental, condenou a ação e exigiu postura firme da comunidade internacional para proteger os comboios de alívio, enfatizando que o local é um corredor vital para a sobrevivência de civis.
Este incidente não é isolado. O Programa Mundial de Alimentos (WFP) denunciou que, recentemente, outro caminhão da agência foi atacado no Cordofão do Norte (perto de Hamrat al-Sheikh) enquanto tentava levar comida para famílias em Darfur. Carl Skau, vice-diretor executivo do WFP, descreve a situação no Sudão como “a pior crise alimentar do mundo”, com 20 milhões de pessoas sofrendo de desnutrição e 6 milhões à beira da inanição.
O Contexto Regional
O Leste do Chade, onde o ataque ocorreu, já abriga pelo menos 1,2 milhão de refugiados sudaneses que fugiram das hostilidades iniciadas em abril de 2023. O ataque direto a um mercado em solo estrangeiro sinaliza uma perigosa escalada regional do conflito, colocando em risco a frágil segurança de civis e a logística de sobrevivência de milhões de pessoas.
Enquanto drones modernos destroem mantimentos vitais, a população civil paga o preço mais alto. “Isso foi um ataque deliberado a inocentes desarmados”, declarou Abdel-Baqi, do Conselho de Fundação de Darfur Ocidental, após visitar o local.
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