Cultura & Arte
Milhares de mulheres negras marcham em Brasília e entregam manifesto com 11 reivindicações ao Governo Federal
Milhares marcham em Brasília com ministras de Estado. Movimento entregou manifesto com 11 eixos por reparação e justiça social ao Governo Federal.
Dez anos após a primeira edição, movimento retorna à Esplanada dos Ministérios com delegações internacionais e ministras de Estado para cobrar políticas de reparação histórica e justiça social.
A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi ocupada nesta terça-feira (25) por milhares de manifestantes durante a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. O ato, que marca uma década desde a primeira mobilização em 2015, reuniu comitivas de todos os estados brasileiros e delegações internacionais para apresentar um novo pacto social ao país.

Imagens: @deboraoliveira.jpeg
O movimento entregou às autoridades o “Manifesto das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver”, documento que sistematiza as demandas do grupo em 11 eixos centrais. Entre as principais exigências apresentadas ao governo, destacam-se a criação de um fundo nacional permanente para políticas de igualdade racial, a implementação de justiça fiscal progressiva e uma reformulação profunda no modelo de segurança pública, visando cessar a violência contra a juventude negra.
Diferente da edição de 2015, o ato deste ano contou com forte presença institucional. As ministras Anielle Franco (Igualdade Racial), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Cida Gonçalves (Mulheres) acompanharam a mobilização, sinalizando a abertura do Executivo às pautas. A ministra Anielle Franco destacou que a presença do governo simboliza uma “ponte entre movimento e Estado”, reafirmando o compromisso de avançar nas pautas de bem viver.

Imagens: @deboraoliveira.jpeg
O encerramento do ato político deu lugar a uma ocupação cultural no Museu Nacional, prevista para se estender até a noite. A programação celebra a arte e a cultura negra com apresentações de artistas como Larissa Luz, Ebony, Célia Sampaio e Luana Hansen, marcando o fim de um dia histórico que uniu reivindicação política e celebração da identidade diaspórica na capital federal.
Lente BNB
Enquanto a cobertura tradicional foca na celebração, a Lente BNB destaca a mudança tectônica de patamar político. Se em 2015 o foco era a resistência contra um cenário adverso, em 2025 as mulheres negras apresentam um projeto de Estado. O manifesto entregue não é uma lista de desejos, mas um plano econômico e social robusto, provando que este grupo possui as soluções mais sofisticadas para as crises do país.
Além disso, a presença de ministras marchando organicamente com a base sinaliza uma conquista inédita de ocupação da máquina pública. O desafio agora, como aponta o próprio movimento, é transformar essa representatividade visual e a filosofia do “Bem Viver” em orçamento real e políticas de Estado perenes, invertendo a lógica colonial de desenvolvimento a qualquer custo.
Por Redação Black News Brasil
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