Conecte-se conosco

Cultura & Arte

Lançamento Histórico em Alcântara Contradiz Condenação da Corte IDH

Enquanto ocorre 1º lançamento comercial em Alcântara (MA), Corte IDH condena Brasil por violações históricas contra quilombolas, ordenando titulação do território em 3 anos.

Publicado

em

O Brasil sedia nesta quarta-feira (17) o primeiro lançamento comercial de um veículo espacial, o Hanbit-Nano da sul-coreana Innospace, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A Força Aérea Brasileira (FAB) celebra o marco como a “entrada do país no mercado global de lançamentos espaciais”. Contudo, a celebração do avanço tecnológico ocorre sob o peso de uma condenação histórica na Justiça Internacional: a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) declarou que o Estado brasileiro é responsável por violar os direitos de 171 comunidades quilombolas de Alcântara, em decorrência da instalação e operação da base militar.

img_9392
previous arrow
next arrow
img_9392
image_processing20200201-29235-vzfma5
vac_abr_140918nv4923
whatsapp-image-2021-02-13-at-19.51.45
73971666-centro-de-lancamento-de-alcantara-e-a-denominacao-da-segunda-base-de-lancamento-de-foguetes
previous arrow
next arrow

As violações remontam ao final da década de 70 e início dos anos 80, quando 312 famílias de 32 comunidades foram removidas forçadamente para implantação do CLA. O processo não incluiu consulta prévia, livre e informada, o que é exigido pela Convenção 169 da OIT. A Corte IDH considerou que este conjunto de violações comprometeu o “projeto de vida coletivo” das comunidades, violando o direito à propriedade coletiva, à cultura e à circulação. O Estado se manteve omisso, mesmo após a Constituição de 1988.

A análise exige que a Centralidade do Povo Negro seja o foco: a busca por “maturidade técnica” no espaço, celebrada como avanço estratégico, foi alcançada por meio de racismo institucional e violação crônica dos direitos de propriedade coletiva das comunidades negras. Quem ganha com isso? O Programa Espacial Brasileiro e empresas estrangeiras. Quem perdeu? As famílias que foram forçadas a migrar para agrovilas de terras improdutivas, perdendo o acesso a locais sagrados, e que “passaram a conhecer a fome de perto”.

Como resposta à luta de mais de quatro décadas, a Corte IDH determinou que o governo titule os 78,1 mil hectares do território tradicional em um prazo de três anos. A sentença também obriga o Estado a pagar US$ 4 milhões às associações de moradores, realizar um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional e instalar uma mesa de diálogo permanente. A decisão é um precedente gigantesco de proteção para outras comunidades quilombolas do país.

O fecho desta etapa é a Agência e a Resistência das comunidades quilombolas, que obtiveram a vitória na Corte após mais de vinte anos de tramitação. O caso reforça a violação crônica no Brasil, onde o ritmo de regularização fundiária, se mantido, levaria 2.708 anos para titular os quilombos pendentes. Os próximos passos a observar são o cumprimento imediato das medidas de reparação determinadas pela Corte Interamericana.

Fontes Utilizadas: agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/primeiro-lancamento-comercial-de-foguete-no-brasil-deve-ocorrer-hoje; global.org.br/blog/alcantara-e-quilombola-em-sentenca-historica-corte-idh-condena-brasil-por-violar-direitos-quilombolas-e-determina-titulacao-do-territorio/

Continue Lendo

Mais lidas