Sem categoria
Emergência Climática: Sudeste Sob Alerta Vermelho de Calor
Inmet mantém alerta vermelho para onda de calor no Sudeste. MPF e Defensorias cobram ações urgentes para proteger grupos vulnerabilizados no Rio de Janeiro.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém ativo, até a próxima segunda-feira (29 de dezembro de 2025), o alerta vermelho para uma onda de calor que atinge severamente as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil. O aviso de “grande perigo” reflete temperaturas que permanecem 5ºC acima da média histórica desde o último dia 23, afetando integralmente os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
O fenômeno é exacerbado pelo aquecimento global e pelo efeito de “ilha de calor” nas áreas urbanas, onde a concentração de asfalto e concreto retém o calor, elevando ainda mais as medições térmicas.
No Rio de Janeiro, a crise climática atingiu um marco crítico com os termômetros registrando 40,1°C no dia 25 de dezembro, o recorde do mês. Desde a véspera de Natal, a capital fluminense permanece no estágio 3 de calor em uma escala de 5. A rede municipal de saúde já contabiliza uma média de 450 atendimentos diários por sintomas como tontura, fraqueza e desmaios possivelmente relacionados às altas temperaturas. Diante da gravidade, o Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas (DPU e DPRJ) encaminharam recomendações urgentes ao governo estadual e à prefeitura para a adoção de medidas intersetoriais de proteção.
A análise institucional revela que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual, atingindo desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social. Quem ganha com a ausência de planejamento urbano climático são as estruturas que ignoram as assimetrias nas periferias, enquanto grupos vulneráveis — como crianças, idosos, gestantes e a população em situação de rua — enfrentam riscos elevados de insolação, exaustão térmica e golpe de calor. Esta realidade impõe a urgência de uma leitura constitucional que priorize a dignidade humana sobre a inércia administrativa.
No quadro de responsabilidades, os órgãos de controle estipularam um prazo de 24 horas para que o estado e o município do Rio informem medidas concretas, como a ativação de centros de hidratação e pontos de resfriamento com ar-condicionado. O protocolo municipal para a população em situação de rua reconhece que a exposição é agravada pelo menor acesso a ambientes refrigerados e à água potável. É dever do Estado garantir fluxos de atendimento pré-hospitalar e a prontidão do Corpo de Bombeiros para resgates em cenários de risco extremo.
O fecho desta emergência aponta para a necessidade de Agência e resistência das redes de proteção diante da permanência do bloqueio atmosférico. Embora a previsão indique chuvas a partir de segunda-feira (29), as temperaturas devem permanecer elevadas, exigindo vigilância constante sobre a estabilidade democrática e a prestação de serviços essenciais. Os próximos passos requerem a verificação rigorosa da distribuição de água e a eficácia das unidades de saúde como centros de hidratação, assegurando que o direito à saúde e à vida das populações vulnerabilizadas prevaleça.
BlackNews Brasil – Um ecossistema de Jornalismo Negro e Independente.
Fontes: Agência Brasil (Bruno Bocchini; Bruno de Freitas Moura); Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); Ministério da Saúde; Alerta Rio.






