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São Tomé e Príncipe elege presidente em teste à democracia

Neste domingo (19), Carlos Vila Nova e Nito D’Abreu disputam a Presidência de São Tomé. 142 mil eleitores vão às urnas em meio à crise política que testa a estabilidade do país.

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Neste domingo (19), São Tomé e Príncipe realiza eleições presidenciais para escolher o chefe de Estado que comandará o país nos próximos cinco anos. Ao todo, 142.298 eleitores estão aptos a votar, segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), sendo 121.670 no território nacional e 20.521 no exterior — destes, 15.917 em cinco países da Europa e 5.324 em quatro países africanos.

Quatro candidatos disputam o pleito, mas a campanha foi dominada por dois nomes: o atual presidente Carlos Vila Nova e o deputado Nito D’Abreu. Os outros dois concorrentes, Eugénio Tiny e Miques João, são independentes e não contam com apoio partidário expressivo. O ex-primeiro-ministro Jorge Bom Jesus chegou a oficializar candidatura, mas desistiu fora do prazo legal — seu nome ainda consta na cédula, mas votos nele serão anulados.

Carlos Vila Nova, de 66 anos, foi eleito em 2021 com o apoio da Ação Democrática Independente (ADI), mas concorre agora como independente. Em janeiro de 2025, demitiu o governo chefiado por Patrice Trovoada, alegando necessidade de garantir o funcionamento das instituições. A decisão mergulhou a ADI em uma crise, dividindo o partido entre a facção de Trovoada e a facção do atual primeiro-ministro, Américo Ramos. Com o slogan “Primeiro o Meu País”, Vila Nova defende a continuidade e a estabilidade. Sua candidatura é apoiada pela maioria dos partidos, incluindo o MLSTP/PSD, maior partido da oposição.

Nito D’Abreu, de 42 anos, é licenciado em Relações Internacionais, deputado e líder parlamentar da ADI. Apresenta-se como candidato da renovação política e da juventude, prometendo criar empregos e conter o êxodo de jovens do país, que tem cerca de 240 mil habitantes. Sua candidatura tem o apoio da direção da ADI, liderada por Patrice Trovoada, e de partidos aliados.

A eleição testa a resiliência da democracia são-tomense, considerada uma das democracias mais estáveis da África desde a adoção do multipartidarismo em 1990. Em 2022, o governo anunciou ter frustrado uma tentativa de golpe. O Africa Center for Strategic Studies, centro de estudos ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, avaliou que o pleito representa uma oportunidade para demonstrar que aquele episódio de violência política foi uma exceção na trajetória institucional do país.

Nas primeiras horas da votação, foi registrada fraca afluência às urnas e dois bloqueios a sul da capital, onde não foi permitida a entrada de urnas em dois locais. O presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Jeudiger do Nascimento, afirmou: “Se as pessoas estão com raiva, este é momento de expressar essa raiva fazendo uma opção. Não podemos adiar o destino do país e não votar não significa que as coisas fiquem resolvidas.”

Missões de observação internacional da União Europeia, União Africana, CPLP, CEEAC e G7+ acompanham o pleito. As urnas abriram às 7h (horário local) e fecham às 18h. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno entre os dois mais votados. Os resultados preliminares são esperados ainda neste domingo ou na segunda-feira (20).

A eleição também mede a influência de Patrice Trovoada, ex-primeiro-ministro que rompeu com Vila Nova. O resultado indicará se a continuidade de Vila Nova ou a renovação de D’Abreu prevalece, em um momento em que o país enfrenta desafios como desemprego juvenil e emigração.

Lente BNB

São Tomé e Príncipe, a menor nação de língua portuguesa do mundo, realiza um teste crucial para sua democracia. A eleição opõe continuidade e renovação, em um cenário de crise política que expõe as fragilidades das instituições do país.

A presença de missões de observação internacional — incluindo da CPLP, da União Africana e da União Europeia — evidencia a importância que a comunidade internacional atribui à estabilidade democrática são-tomense. O apelo do presidente da CEN para que os eleitores compareçam às urnas, mesmo em meio à frustração, reforça a mensagem de que a democracia se fortalece pela participação.

O que ocorre em São Tomé e Príncipe ressoa além de suas fronteiras. Para o Brasil e para os demais países lusófonos, o resultado desta eleição oferece um indicativo sobre a estabilidade institucional de uma das democracias mais consolidadas da África lusófona, demonstrando como instituições eleitorais, alternância de poder e observação internacional seguem desempenhando papel central na preservação da ordem democrática.

Fontes consultadas

DW Brasil: O grande duelo nas presidenciais de São Tomé e Príncipe (14/07/2026)
RFI: São Tomé e Príncipe: Encerramento da campanha eleitoral (17/07/2026)
Observador: Fraca afluência às urnas em São Tomé e Príncipe (19/07/2026)
Reuters: Sao Tome and Principe votes for president, Vila Nova seeks new term (19/07/2026)
Diário de Notícias: Mais de 142 mil eleitores escolhem o próximo Presidente de São Tomé este domingo (19/07/2026)
ANGOP: Mais de 142 mil eleitores escolhem hoje próximo Presidente de São Tomé e Príncipe (19/07/2026)

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