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Cultura & Arte

Flipelô 2026 ocupa Pelourinho com mais de 500 autores e programação gratuita

A 10ª edição da Flipelô acontece até 9 de agosto no Pelourinho, com mais de 500 autores, programação gratuita e homenagem à poeta Myriam Fraga. O evento transforma o centro histórico de Salvador em um grande palco para a literatura, a música e as artes.

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Entre os dias 5 e 9 de agosto, a 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) ocupa ruas, largos, museus, igrejas, teatros e centros culturais do Centro Histórico de Salvador, transformando o Pelourinho em um grande palco para a literatura, a música e as artes. Realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado — que completa 40 anos em 2026—, a festa é totalmente gratuita e reúne mais de 500 escritores brasileiros e nove internacionais.

Homenagem a Myriam Fraga e Calasans Neto

A edição de 2026 celebra a memória e o legado da poeta baiana Myriam Fraga (1937-2016), figura fundamental na criação da Fundação Casa de Jorge Amado — que dirigiu de 1986 a 2016 — e idealizadora da Flipelô.

A homenagem se estende também ao artista plástico Calasans Neto, grande amigo e parceiro de Myriam Fraga. Pintor, gravador, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo, Calasans construiu uma trajetória singular nas artes visuais brasileiras. Suas ilustrações acompanham a obra de Myriam desde a publicação de seu primeiro livro, Marinhas (1964). Nesta edição, a identidade visual da Flipelô é inteiramente composta por criações do artista.

Myriam Fraga publicou 25 livros ao longo da carreira, entre poesia, prosa e literatura infantojuvenil, com obras traduzidas para diferentes idiomas. Foi eleita membro da Academia de Letras da Bahia em 1985 e atuou como vice-presidente da entidade em 2015. A Flipelô surgiu após ela participar da Festa Literária Internacional de Paraty em 2006, quando Jorge Amado foi o autor homenageado.

Programação com mais de 500 autores

Entre os convidados de destaque estão o premiado escritor Itamar Vieira Junior, a romancista Ana Maria Gonçalves — autora de Um Defeito de Cor —, o poeta e músico Tiganá Santana, o humorista e escritor Gregório Duvivier, o cantor Chico Chico, a escritora Carla Madeira, Aline Bei, Bárbara Carine, Eliana Alves Cruz, o poeta Bráulio Bessa, a jornalista Astrid Fontenelle, o escritor Milton Hatoum e a estadunidense Tracy Mann e o espanhol Pablo Fidalgo.

Ao todo, a Flipelô reúne mais de 500 escritores brasileiros e nove internacionais, que participam de mesas de debates, bate-papos, lançamentos de livros, saraus, recitais, exposições, oficinas e apresentações teatrais e musicais.

Abertura oficial e atrações musicais

A abertura oficial aconteceu na quarta-feira (5), às 19h, no Palco Flipelô, no Largo do Pelourinho, com o espetáculo “A palavra e o tempo”, apresentado por Belô Velloso, com direção cênica de Edvard Passos.

A programação musical inclui show de Chico Chico, além de apresentações de Gerônimo & Banda Monte Serrat, saraus e performances espalhados pelos espaços culturais do Pelourinho.

Bate-papos e rodas de conversa

Entre os encontros mais aguardados estão:

  • A conversa entre Itamar Vieira Junior e José Inácio Vieira de Melo, na sexta-feira (7)
  • A apresentação literária “Aos pés da letra”, com Gregório Duvivier, no sábado (8)
  • Mesas dedicadas à obra de Myriam Fraga, à literatura contemporânea, à ancestralidade, à memória e às novas narrativas brasileiras

No sábado (8), a programação conta com contação de histórias, bate-papos com Carla Madeira e Gregório Duvivier, rodas de conversa, oficinas e show de Gerônimo & Banda Monte Serrat.

Espaços do evento

A feira literária ocupa diversos espaços do Pelourinho, incluindo:

  • Palco Flipelô (Largo do Pelourinho) — palco principal para shows e abertura
  • Arena Sesc-Senac — estação de leitura e exposição de livros de autores independentes
  • Vila Literária – Varanda dos Escritores — exposição e venda de livros com autores baianos e convidados
  • Casa Motiva – Vale do Dendê — exposição e venda de livros de autores independentes
  • Fundação Casa de Jorge Amado — com entrada gratuita e debates no espaço “Terreiro de Poesia”
  • Casa do Olodum
  • Espaço Infantil Mabel Velloso

A expectativa dos organizadores é que o evento atraia um público de 250 mil pessoas, que vão transitar entre cerca de 150 espaços públicos e privados no Centro Histórico de Salvador, desde a Praça Municipal até o Santo Antônio Além do Carmo.

Impacto cultural e econômico

Ao mobilizar milhares de visitantes, a Flipelô contribui diretamente para o fortalecimento do comércio local, do turismo e das diversas atividades produtivas do Centro Histórico e de seu entorno. Na última edição, cerca de 250 mil pessoas participaram dos cinco dias de programação.

Mais do que um evento, a Flipelô reafirma seu compromisso com o estímulo à literatura — especialmente entre os jovens — e com a preservação e valorização da memória de Jorge Amado, em diálogo com a arte e a cultura da Bahia em suas múltiplas expressões. O festival também se consolidou como um importante espaço de incentivo às editoras baianas, à poesia e ao surgimento de novos autores.

“Chegar à 10ª edição da Flipelô é uma conquista que nos enche de alegria e reafirma a importância da festa para a literatura, para a cultura da Bahia e para o Centro Histórico de Salvador”, afirmou Angela Fraga, da Fundação Casa de Jorge Amado.

🌐 Site e redes sociais

Lente BNB

A Flipelô é mais do que uma festa literária. É um espaço de afirmação da cultura negra e da produção intelectual da Bahia, estado com a maior população negra fora da África. Ao ocupar o Pelourinho — coração simbólico da Salvador colonial, onde a história da escravidão e da resistência negra se entrelaçam — o evento reafirma a potência da literatura como ferramenta de memória, pertencimento e transformação social.

A homenagem a Myriam Fraga, mulher negra que dedicou sua vida à literatura e à preservação da memória de Jorge Amado, é também um reconhecimento à trajetória de intelectuais negras que frequentemente são apagadas da história oficial. A presença de autoras como Ana Maria Gonçalves, Aline Bei e Bárbara Carine, que abordam em suas obras temas como racismo, ancestralidade e identidade, reforça o papel da Flipelô como vitrine para narrativas negras contemporâneas.

A pergunta que a Lente BNB insiste em fazer é: em um país onde a literatura ainda é um espaço de privilégio, a Flipelô conseguirá ampliar o acesso à leitura e à produção literária para as periferias e para a juventude negra? A resposta está nos 250 mil visitantes que ocupam o Pelourinho a cada edição — e na certeza de que a cultura, quando é gratuita e acessível, tem o poder de transformar.

Fontes consultadas

  • Site oficial da Flipelô — link
  • Brasil de Fato — link
  • Alô Alô Bahia — link
  • G1 — link
  • G1 — Flipelô 2026 homenageia a poeta baiana Myriam Fraga (26/02/2026) — link

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