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Copa do Mundo 2026

Mudanças de Ancelotti desmontam sistema, e Brasil cai para a Noruega

Brasil controlava a Noruega até os 66 minutos, com Rayan sendo peça-chave na contenção de Haaland. Após as mudanças promovidas por Carlo Ancelotti, a equipe perdeu o equilíbrio tático e sofreu a virada.

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Crédito Imagem: Werther Santana/Estadão

A eliminação do Brasil para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, não foi resultado de um colapso que durou os 90 minutos. Durante pouco mais de uma hora, a seleção brasileira executou com precisão o plano traçado por Carlo Ancelotti e neutralizou o principal jogador adversário: Erling Haaland.

A estratégia brasileira era clara. O time abria mão da posse de bola, defendia em bloco médio e apostava na velocidade das transições ofensivas. O desenho funcionou. A Noruega tinha dificuldades para criar, enquanto o Brasil encontrava espaços para contra-atacar.

Ainda no primeiro tempo, Rayan criou uma boa oportunidade pela direita. Pouco depois, Vinícius Júnior roubou a bola no campo ofensivo e obrigou Nyland a fazer grande defesa. A seleção parecia confortável dentro da proposta escolhida.

O pênalti desperdiçado que mudou o roteiro

Aos 13 minutos do primeiro tempo, surgiu a oportunidade de transformar o controle em vantagem.

Após recuperação de bola iniciada por Rayan, Matheus Cunha sofreu pênalti.

Era o momento ideal para colocar a Noruega em desvantagem e obrigá-la a abandonar o plano defensivo.

Bruno Guimarães assumiu a cobrança, conforme definição feita anteriormente pela comissão técnica de Carlo Ancelotti.

A finalização saiu no canto direito, em meia altura, permitindo a defesa de Nyland.

Com o resultado final da partida, o lance ganhou ainda mais relevância.

Caso o Brasil abrisse o placar naquele momento, a Noruega provavelmente teria de adiantar suas linhas muito antes, modificando completamente a dinâmica tática do confronto.

Pela campanha que fazia na Copa, muitos esperavam que Vinícius Júnior assumisse a cobrança.

Após a partida, o camisa 7 explicou que a decisão já havia sido tomada antes mesmo do início do jogo.

“O pênalti é decidido antes do jogo e o mister decidiu por Bruno, porque ele treinou bem. São ocasiões do jogo, perder e fazer. Infelizmente Bruno perdeu.”

A escolha também foi questionada por analistas esportivos.

Para Danilo Lavieri, a ausência de Vinícius Júnior na cobrança evidenciou um problema de liderança dentro da equipe.

Rayan foi a peça-chave para neutralizar Haaland

Embora os holofotes normalmente recaiam sobre os atacantes mais conhecidos, um dos jogadores mais importantes do plano brasileiro era Rayan.

Atuando aberto pela direita, o atacante de apenas 20 anos cumpria uma função que ia muito além da construção ofensiva. Ele recompunha rapidamente, fechava o corredor direito ao lado de Martinelli e ajudava a impedir que Haaland recebesse bolas em condições favoráveis.

Até os 65 minutos, o centroavante norueguês praticamente não havia participado do jogo. Tinha poucas ações ofensivas e apenas uma finalização. Bruno Guimarães pressionava por dentro, Casemiro protegia a entrada da área e os pontas fechavam os corredores.

O funcionamento coletivo permitia que o Brasil controlasse a partida mesmo tendo menos posse de bola.

O gol que Endrick não fez

No segundo tempo, antes das mudanças promovidas por Ancelotti, Endrick entrou na vaga de Matheus Cunha.

Poucos minutos depois, Vinícius Júnior encontrou o jovem atacante em velocidade.

Endrick saiu cara a cara com Nyland.

Era uma oportunidade clara para ampliar.

A finalização, porém, saiu por cima do gol.

Assim como o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, a chance perdida por Endrick passou a integrar a sequência de oportunidades desperdiçadas pelo Brasil enquanto ainda controlava o jogo.

Após a partida, o atacante lamentou o erro.

“Conversei com Deus, agradeci pela oportunidade, mas foi um momento que eu sei que poderia fazer melhor.”

Foi o último grande ataque brasileiro antes da mudança de cenário.

As substituições mudaram completamente o jogo

Aos 67 minutos, Carlo Ancelotti fez duas alterações.

Rayan deixou o campo para a entrada de Neymar.

Martinelli saiu para a entrada de Danilo Santos.

Até aquele momento, o Brasil mantinha controle territorial e tático sobre a Noruega.

As análises publicadas por ge.globo, CNN Brasil e UOL apontam que o comportamento coletivo da seleção mudou significativamente após as substituições.

O comentarista Edu Panzi, da CNN Brasil, resumiu o momento:

“A partir do momento que o Neymar entra em campo, o Ancelotti aniquila o sistema ofensivo brasileiro e traz um conforto muito grande para a Noruega transformar essa posse de bola em chances.”

A dinâmica da partida reforça essa leitura.

Sem Rayan, o Brasil perdeu intensidade na recomposição pelo lado direito.

O corredor passou a ser explorado com maior frequência pela Noruega.

Pouco depois, Haaland encontrou espaços que praticamente não existiram durante os primeiros 65 minutos.

Entre os 80 e os 90 minutos, a equipe europeia marcou duas vezes e virou a partida.

Em apenas dez minutos, um jogo que parecia controlado escapou completamente das mãos da seleção brasileira.

O que fica da eliminação

A Copa do Mundo de 2026 termina para o Brasil com mais perguntas do que respostas. O plano de Ancelotti funcionou enquanto a disciplina tática foi mantida, mas a entrada de Neymar — e a consequente saída de Rayan — desmontou um sistema que vinha dando certo.

Rayan, jovem negro de 20 anos, fez o trabalho sujo que poucos veem, mas que sustenta equipes vencedoras. Foi substituído para dar lugar a um nome, não a um jogador em melhores condições físicas ou táticas. Endrick, outro jovem negro, perdeu o gol que poderia ter mudado a história. Vinícius Júnior, o principal jogador da seleção, não quis bater o pênalti.

A eliminação não é sobre um lance ou um jogador. É sobre um padrão que se repete: o futebol brasileiro ainda não aprendeu a equilibrar o peso da hierarquia com a eficiência coletiva. Enquanto isso, a geração de Rayan — negra, jovem, taticamente disciplinada — fica esperando sua vez, enquanto o protagonismo que deveria ser seu é entregue a quem já não pode mais sustentá-lo.


Fontes consultadas

ge.globo: Anatomia da eliminação: imagens mostram como o Brasil desmoronou após mudanças de Carlo Ancelotti (06/07/2026)
CNN Brasil: Ancelotti errou? Entrada de Neymar expõe crise do Brasil na Copa (06/07/2026)
UOL: Entrada de Neymar provocou queda de rendimento da seleção brasileira (06/07/2026)

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