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Política

Lula mantém vantagem sobre Flávio em todos os cenários e bolsonarismo patina mesmo com empate técnico

Pesquisa Meio/Ideia confirma Lula na frente em todos os cenários; Flávio só empata tecnicamente no 2º turno. Rejeição a Flávio é de 43,4%, e Lula lidera entre mulheres, pobres e nordestinos — base que sustenta o projeto de ascensão social.

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Contraste entre o projeto nacional de Lula e a referência externa do bolsonarismo. — Imagem gerada por IA para o BlackNews BRASIL

Pesquisa do Instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança em todos os cenários testados para as eleições presidenciais de 2026. No primeiro turno, Lula aparece com 40,4% das intenções de voto, contra 32% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um eventual segundo turno, o petista registra 45%, ante 40% do senador — uma diferença que está dentro da margem de erro da pesquisa, caracterizando empate técnico.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 3 e 6 de julho, tem 95% de nível de confiança e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. Em relação ao levantamento anterior, realizado em maio, Lula oscilou 1,5 ponto percentual para baixo e Flávio recuou 1,4 ponto — variações consideradas dentro da margem de erro, indicando estabilidade no cenário eleitoral.

Lula lidera no 1º turno com ampla vantagem

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula registra 40,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. Os demais candidatos aparecem distante dos dois primeiros colocados: Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Romeu Zema (Novo) aparece com 2,5%, Aécio Neves (PSDB) registra 2% e Renan Santos (Missão) também soma 2%. Brancos, nulos e indecisos representam 13,6%.

Em um cenário alternativo com Michelle Bolsonaro (PL) substituindo Flávio, Lula mantém os mesmos 40,4%, enquanto a ex-primeira-dama aparece com 29,4%, desempenho inferior ao do senador — o que mostra que o bolsonarismo, mesmo com outro nome, não consegue avançar sobre a base de Lula.

Segundo turno: recorte por gênero

Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 45%, contra 40% do senador. Brancos e nulos somam 10,5%, enquanto 4,5% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votariam.

O recorte por gênero revela diferenças expressivas. Entre os homens, Flávio Bolsonaro lidera com 46,3%, enquanto Lula registra 39,2%. Já entre as mulheres, o cenário se inverte: Lula alcança 50,4%, contra 34,2% de Flávio.

“A principal diferença entre Lula e Flávio vem exatamente do gap de gênero. O voto feminino, se as eleições fossem hoje, seria fundamental para a reeleição do presidente Lula”, afirmou Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia.

Recortes regionais e socioeconômicos

Lula apresenta seu melhor desempenho entre os eleitores do Nordeste (62,7%), das classes D e E (58,8%) e entre aqueles com renda de até um salário mínimo (58,8%) — exatamente a base que mais se beneficiou das políticas de ascensão social do PT.

Flávio Bolsonaro concentra maior apoio entre os evangélicos (61,1%) e os moradores da Região Sul (54,1%). A rejeição a Flávio, de 43,4%, é um dos maiores entraves para sua candidatura, enquanto a rejeição a Lula é de 46,4%, dentro de um cenário de polarização que beneficia o petista pela força de sua base histórica.

A pesquisa testou seis cenários de segundo turno envolvendo Lula. Flávio Bolsonaro foi o único adversário que apareceu tecnicamente empatado com o atual presidente. Nos demais confrontos simulados, Lula venceria todos os pré-candidatos apresentados pelo levantamento — o que indica que, mesmo com oscilações, o projeto do bolsonarismo não consegue se viabilizar como alternativa consistente.

O que fica da pesquisa

A pesquisa Meio/Ideia revela um cenário político consolidado: Lula segue à frente em todos os cenários, e o bolsonarismo não consegue romper a barreira de sua base. A rejeição a Flávio (43,4%), o desgaste do caso Master e o tarifaço de Trump não foram suficientes para alterar o quadro eleitoral.

Lula mantém sua força onde ela sempre esteve — entre os mais pobres, os nordestinos, os menos escolarizados e as mulheres. É essa base que sustenta seu projeto de ascensão social e que, mesmo diante de crises e ataques, permanece fiel ao petista.

Flávio, por sua vez, concentra apoio em segmentos específicos — evangélicos e Região Sul — mas não consegue ampliar sua capilaridade. O bolsonarismo, mesmo com outra cara, segue sendo o projeto que nunca incluiu a população negra como protagonista.

Os números mostram que a disputa de 2026 continua sendo entre dois projetos antagônicos. E, para a população negra e periférica, o voto segue sendo o divisor de águas — e a rejeição a Flávio é, em grande medida, a rejeição ao projeto que sempre tratou suas pautas como secundárias.


Fontes consultadas

Correio Braziliense: Lula lidera todos os cenários para as eleições de 2026 (08/07/2026)
UOL: Meio/Ideia: Lula lidera no 1º turno e tem empate técnico com Flávio no 2º (08/07/2026)
Estadão: Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro, 40% no segundo turno (08/07/2026)
GP1: Lula tem 45% e Flávio Bolsonaro 40% em eventual segundo turno (08/07/2026)

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