Cultura & Arte
Afropunk Brasil 2026 anuncia Gilberto Gil, Emicida, Kehlani e Jorja Smith
Maior festival de cultura negra do mundo desembarca em Salvador nos dias 7 e 8 de novembro com line-up que reúne Gilberto Gil, Emicida, Kehlani, Jorja Smith, Kelela, FLO e Criolo.
O AFROPUNK Brasil, um dos maiores festivais de cultura negra do mundo, divulgou o line-up completo de sua edição de 2026 e confirmou uma programação para os dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições de Salvador. Realizado pela IDW Company, a mesma produtora que trouxe Beyoncé ao estado durante o Club Renaissance, o festival reunirá diferentes gerações e expressões da música negra em um encontro que celebra legado, presente e futuro.
O line-up internacional traz quatro grandes nomes se apresentando pela primeira vez na Bahia: a cantora e compositora britânica Jorja Smith, que chega ao festival às vésperas do lançamento de seu novo álbum; a norte-americana Kehlani, uma das vozes mais influentes do R&B contemporâneo, cuja vinda foi impulsionada por uma campanha organizada de fãs nas redes sociais; a cantora e produtora Kelela, referência da música eletrônica experimental e alternativa; e o trio britânico FLO, que vem liderando a renovação global do R&B com harmonias inspiradas nos grupos femininos dos anos 1990 e 2000.
A programação nacional tem peso equivalente. Gilberto Gil sobe ao palco do AFROPUNK logo após o encerramento da turnê “Tempo Rei”, celebrando mais de seis décadas de contribuição à cultura brasileira. Emicida retorna ao festival como um dos principais nomes do rap brasileiro contemporâneo. Já Criolo apresenta um show especial dedicado ao repertório de “Nó na Orelha” (2011), álbum considerado um marco da música brasileira do século XXI.
Completam o line-up a força das sonoridades negras brasileiras: Gaby Amarantos, que segue explorando os caminhos do tecnobrega e da cultura amazônica; Lazzo Matumbi, uma das vozes fundamentais da música negra baiana; AJULLIACOSTA, representante da nova geração do rap nacional; Edcity Fantasmão, referência histórica da cultura de periferia de Salvador; e NandaTsunami, artista que vem consolidando sua presença ao unir rap, moda e performance.
“O line-up de 2026 traduz exatamente o que buscamos construir com o AFROPUNK Brasil: um espaço onde diferentes gerações, territórios e expressões da música negra possam dialogar. Reunir tantos artistas mostra a potência dessa conexão entre legado, presente e futuro. Salvador segue sendo o coração dessa história”, afirmou Ana Amélia Nunes, sócia e diretora de conteúdo da IDW Company.
O AFROPUNK Brasil 2026 faz parte de uma expansão nacional inédita do festival. Antes de chegar a Salvador, o projeto passa pelo Rio de Janeiro, em 15 de agosto, com o AFROPUNK Experience no Terreirão do Samba, e por Recife, em 12 de setembro, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A edição de Salvador encerra a jornada nacional.
Em 2025, o festival reuniu mais de 75 mil pessoas em São Luís, Rio de Janeiro e Salvador, impactou mais de 12 milhões de pessoas e gerou R$ 136 milhões na economia local, com público de todos os estados brasileiros e de mais de 36 países, segundo dados divulgados pela organização do festival.
“É cultura gerando negócios e fortalecendo os mercados por onde o festival passa”, destacou Potyra Lavor, CEO da IDW Company.
Lente BNB
O AFROPUNK Brasil 2026 é mais do que um festival de música. É a afirmação de que a cultura negra ocupa o centro — e não a periferia — da produção cultural brasileira e global.
O festival, que nasceu em 2005, no Brooklyn, em Nova York, como resposta à invisibilidade da cultura negra no circuito mainstream, encontrou em Salvador um dos principais territórios de afirmação da cultura negra nas Américas. A cidade que foi o berço do Olodum, do Ilê Aiyê e do pagodão baiano recebe um festival que celebra pertencimento, resistência e protagonismo negro.
A presença de Gilberto Gil, Emicida, Criolo, Lazzo Matumbi, Kehlani, Jorja Smith, Kelela e FLO no mesmo palco vai além do entretenimento. O encontro evidencia como a música negra — do samba ao R&B, do rap ao tecnobrega — continua influenciando a produção cultural em escala global.
O AFROPUNK também é economia. Os R$ 136 milhões movimentados em 2025 demonstram que a cultura negra não é apenas expressão artística, mas um motor da economia criativa, capaz de gerar empregos, movimentar cadeias produtivas e fortalecer territórios. A expansão do festival para Rio de Janeiro e Recife confirma o crescimento desse mercado e amplia sua presença no cenário cultural brasileiro.
Ao sediar novamente a principal edição brasileira do festival, Salvador reforça sua centralidade na produção e circulação da cultura negra contemporânea, conectando artistas, público, economia criativa e identidade em um mesmo espaço.
Fontes consultadas
Rolling Stone Brasil: AFROPUNK Brasil 2026 fecha lineup (16/06/2026)
Gshow: Afropunk Brasil 2026 anuncia line-up (16/06/2026)
Billboard Brasil: AFROPUNK Brasil 2026 line-up completo (16/06/2026)
Correio24Horas: Afropunk 2026 anuncia novas atrações (16/06/2026)
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