Copa do Mundo 2026
Leopardos fazem história, levam Inglaterra ao limite e se despedem de cabeça erguida
A República Democrática do Congo abriu o placar contra a Inglaterra e segurou o favorito por 75 minutos, mas acabou eliminada por 2 a 1. A campanha inédita ficará gravada na memória do futebol africano.
A República Democrática do Congo se despediu da Copa do Mundo de 2026 com a cabeça erguida. No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, os Leopardos enfrentaram a Inglaterra pelas oitavas de final e, por 75 minutos, fizeram o mundo acreditar que a maior zebra do torneio era possível. O placar final de 2 a 1 para os ingleses não apaga a campanha histórica da seleção congolesa, a melhor de sua história.
O gol que parou o mundo
Aos sete minutos do primeiro tempo, a RDC surpreendeu o planeta. O zagueiro Mbemba lançou da intermediária, a bola sobrou na ponta esquerda para Brian Cipenga, que entrou como titular no lugar de Bakambu. O camisa 9 dominou sem marcação, bateu firme e superou o goleiro Pickford.
Foi o primeiro gol da RDC em uma fase de mata-mata de Copa do Mundo. Na comemoração, Cipenga ergueu os punhos para o alto e deu um giro no ar, como quem fazia o mundo virar de cabeça para baixo.
A muralha Mpasi
O que veio depois foi um show à parte do goleiro Lionel Mpasi. A Inglaterra partiu para cima, mas esbarrou em uma muralha. Somente no primeiro tempo, Mpasi fez ao menos três defesas difíceis, incluindo duas cabeçadas de Bellingham e um chute de Harry Kane.
No fim da etapa inicial, Kane invadiu a área e foi derrubado por Mpasi, mas o árbitro não marcou pênalti, mesmo após revisão do VAR. O goleiro congolês voltou a brilhar no segundo tempo, com pelo menos outras três defesas espetaculares. Se não fosse sua atuação, a Inglaterra teria virado o jogo muito antes.
Kane decide, RDC resiste
A Inglaterra precisou do melhor atacante do mundo para superar os Leopardos. Aos 29 minutos do segundo tempo, Harry Kane empatou de cabeça. Minutos depois, aos 40, garantiu a virada com um chute forte de perna direita no ângulo de Mpasi.
Com os dois gols, Kane chegou a 13 gols em Copas do Mundo, ultrapassando Pelé (12) na artilharia histórica do torneio.
A RDC ainda tentou reagir. Wissa quase ampliou no primeiro tempo, mas acertou a trave. O placar, no entanto, não foi mais alterado.
“Não sei se seria possível vencer, mas tentamos”
O técnico Sébastien Desabre valorizou a campanha histórica da equipe:
“Não sei se teria sido possível vencer a Inglaterra, francamente, mas nós tentamos. Taticamente, usamos nosso terceiro sistema e fomos muito bem. Treinamos bastante, e funcionou bem, especialmente o ataque no início do jogo. Fizemos a Inglaterra pensar duas vezes, e eles precisaram do melhor atacante do mundo para se recuperar.”
Sobre o sentimento após a eliminação, Desabre foi direto:
“Fizemos o que tínhamos que fazer. Estivemos perto de fazer 100% do que podia ser feito, mas para nós já é uma vitória. Nós nos reunimos, e simplesmente disse obrigado. Um simples muito obrigado por acreditarem neste projeto.”
“Super orgulho de ser congolês”
O atacante Yannick Bolasie, que acompanhou a campanha de perto, fez um vídeo nas redes sociais celebrando a trajetória:
“Momento de super orgulho. Obviamente, o futebol é esse tipo de jogo. Um time sempre tem que perder. Mas estou orgulhoso de ser congolês.”
Bolasie também homenageou os jogadores:
“Um salve para todos os congoleses. Hoje nós levamos a Inglaterra ao limite. E, novamente, outra parte da história sendo feita. Um salve para todos os jogadores. Cipenga, Wissa, Bakambu, Sidiki, Mpasi, crédito a todos vocês.”
Uma campanha para a história
A RDC chegou ao mata-mata como um dos melhores terceiros colocados do torneio, com quatro pontos no Grupo K. Foram o primeiro ponto (empate com Portugal), a primeira vitória (3 a 1 sobre o Uzbequistão), os primeiros gols e a primeira classificação.
A seleção deixou Atlanta com a cabeça erguida. Levou a Inglaterra ao limite e mostrou que o futebol africano não é coadjuvante.
A Lente BNB
A eliminação da RDC é dolorosa, mas a campanha dos Leopardos na Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história do futebol africano. Mais do que um feito esportivo, a trajetória da seleção congolesa expõe as contradições de um sistema que explora talentos negros sem reconhecer suas origens e que, no campo, viu a diáspora africana desafiar a antiga potência colonial até o último minuto.
A RDC não tinha a estrela mais cara, o melhor patrocínio ou a estrutura mais sofisticada. Mas tinha o que nenhum dinheiro compra: coragem, identidade e a certeza de que, mesmo diante do favorito, um povo pode escrever sua própria história. O continente africano, mais uma vez, mostrou que não é coadjuvante. É protagonista, e sempre foi.
Fontes consultadas
ge: “Fizemos tudo possível”, valoriza técnico da RD Congo após eliminação (01/07/2026)
ge: Bolasie fala em “super orgulho” após eliminação da RD Congo (01/07/2026)
UOL: Harry Kane brilha, Inglaterra vira contra RD Congo e vai às oitavas da Copa (01/07/2026)
365Scores: Inglaterra vira sobre a RD Congo e vai às oitavas da Copa (01/07/2026)
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