Política
Motta recua e devolve escolta a Talíria Petrone após pressão
Após suspensão sem aviso e justificada citando “ida ao samba”, presidente da Câmara reestabelece proteção provisória. Deputada aponta retaliação política.

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em Brasília, em 02/04/2025 — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), recuou e decidiu restabelecer, de forma provisória, a escolta armada da Polícia Legislativa à deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ). A decisão foi confirmada na noite deste sábado (13), revertendo a suspensão sumária que vigorava desde o dia 8 de dezembro e que pegou a parlamentar de surpresa.
A proteção havia sido retirada sob a justificativa oficial de que relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público indicavam a “insubsistência dos motivos” que geraram o risco. Contudo, a suspensão ocorreu logo após Talíria intensificar críticas à gestão de Motta no plenário e atuar contra pautas prioritárias da presidência, como o PL da Dosimetria e a cassação de Glauber Braga.
A polêmica da “vida cotidiana”
Talíria classificou o movimento como retaliação política e expôs o teor do documento usado para embasar o corte da segurança. Segundo a deputada, o relatório listava “problemas de conduta pessoal” para justificar a perda do direito, citando atividades como usar Uber, frequentar locais com aglomeração e “ir ao samba”.
“Dizem que isso coloca minha vida em risco. É uma justificativa absurda. Tenho escolta há sete anos e meio. Eventualmente faço coisas comuns da vida cotidiana”, afirmou Talíria. Ela questionou a disparidade de tratamento, apontando que a proteção de outros parlamentares em situações de risco semelhante, como Nikolas Ferreira e Rosângela Moro, foi mantida.
A deputada vive sob ameaça de milícias desde 2020, quando o Disque-Denúncia interceptou planos para sua execução, obrigando-a a sair do Rio de Janeiro com a filha recém-nascida para viver escondida em Brasília. A nova decisão de Motta mantém a segurança enquanto o caso é reavaliado, após o pedido de reconsideração da deputada.
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