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Ataque do JNIM ao aeroporto de Niamey deixa 13 mortos e expõe fragilidade da junta militar no Níger
Na madrugada de 18 de junho, por volta das 2h (horário de Brasília), grupo ligado à Al-Qaeda atacou aeroporto de Niamey, matando 11 soldados e 2 civis. Forças de segurança mataram 22 atacantes. É o segundo ataque ao local em cinco meses.
Na madrugada da última quinta-feira (18 de junho), por volta das 6h da manhã no horário local (5h GMT) — o que corresponde às 2h da madrugada no horário de Brasília —, o Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey, capital do Níger, foi alvo de um ataque coordenado por homens armados. O saldo oficial divulgado pelo Ministério da Defesa do Níger é de 11 soldados e 2 civis mortos. Do lado dos atacantes, 22 foram mortos e cerca de 20 suspeitos foram presos. Outras quatro pessoas ficaram feridas.
O ataque aconteceu logo após as orações matinais. Segundo relatos de moradores, os atiradores chegaram a um posto de controle de segurança próximo ao aeroporto “de táxi” e encontraram “forte resistência” das forças de segurança. Tiros e explosões foram ouvidos por horas na região. Testemunhas relataram que os primeiros tiros foram ouvidos por volta das 6h (horário local) e continuaram por quase duas horas. Um morador que havia acabado de voltar das orações matinais na mesquita disse que se escondeu com a família no quarto até os tiros pararem.
Horas depois do ataque, o grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) — afiliado à Al-Qaeda na África Ocidental — reivindicou a autoria em um comunicado publicado em seus canais de propaganda. O grupo afirmou ter realizado um “ataque suicida” contra o aeroporto e uma base militar anexa. O aeroporto e a base aérea ficam no mesmo complexo, com a base localizada em frente ao terminal civil.
O governo militar do Níger, liderado pelo general Abdourahamane Tiani desde o golpe de 2023, afirmou que o aeroporto está “totalmente seguro” e continua aberto ao tráfego aéreo. No entanto, moradores relataram que civis se armaram com facões e paus para ajudar na caça aos atacantes que se misturaram à população.
Este é o segundo ataque de grande porte ao Aeroporto Diori Hamani em menos de cinco meses. Em janeiro deste ano, um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico já havia atingido o local, ferindo quatro militares e matando 20 atacantes. Após o ataque de janeiro, o governo Tiani acusou os presidentes da França, do Benim e da Costa do Marfim de apoiarem os responsáveis, sem apresentar provas.
A Lente BNB revela: O ataque a Niamey é mais um capítulo da escalada da violência no Sahel, onde grupos jihadistas expandem sua atuação apesar da presença de forças militares. O aeroporto de Niamey não é apenas um terminal civil — abriga a Força G5 Sahel, forças russas, a unidade de drones que realiza ataques contra rebeldes e estoques de urânio que o Níger busca vender. Qualquer ataque a essas instalações poderia representar um sério risco ambiental.
O episódio expõe a fragilidade da junta militar que governa o Níger desde 2023. O governo de Tiani, que rompeu com a França e se aproximou da Rússia, tem usado a retórica da soberania para justificar sua permanência no poder. No entanto, a violência que assola o país há uma década não diminuiu — pelo contrário, chegou à capital. Enquanto a junta acusa a França de patrocinar “mercenários” sem apresentar provas, a população civil negra do Níger segue sitiada entre jihadistas, forças governamentais e interesses geopolíticos externos.
Fontes consultadas
Al Jazeera: Armed attack on airport in Niger’s capital kills 11 soldiers, 2 civilians (18/06/2026)
BBC News: Thirty-five killed as gunmen attack Niger’s biggest airport (18/06/2026)
AP News: Gunmen attack airport in Niger’s capital as explosions, gunfire heard (18/06/2026)
Africanews: Suspected jihadists stage deadly new attack on Niger airport (18/06/2026)
Xinhua: Attack on airport and air force base in Niger’s capital kills 13 (19/06/2026)
BlackNews BRASIL – Ecossistema de Jornalismo Negro e Independente.
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