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Copa do Mundo 2026

Congo e Inglaterra duelam por vaga nas oitavas de final da Copa

A República Democrática do Congo enfrenta a Inglaterra em Atlanta buscando uma classificação histórica. Com elenco formado pela diáspora africana, os Leopardos simbolizam a transformação do futebol mundial.

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Jogadores da República Democrática do Congo e da Inglaterra disputam a bola durante partida da Copa do Mundo de 2026, representando o confronto pelas oitavas de final em Atlanta.
Crédito: Editoria BlackNews BRASIL / IA

A República Democrática do Congo entra em campo nesta quarta-feira (1º) para o maior jogo de sua história. No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, os “Leopardos” enfrentam a Inglaterra pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. É a primeira vez que a seleção congolesa que em 1974, ainda como Zaire, foi goleada por Brasil, Escócia e Iugoslávia chega à segunda fase de um Mundial.

A classificação veio com uma vitória de virada por 3 a 1 sobre o Uzbequistão, no último sábado (27), com dois gols de Yoane Wissa e um de Mayele. O resultado garantiu à RDC a terceira colocação no Grupo K, atrás de Colômbia e Portugal, e a segunda melhor campanha entre os terceiros colocados.

Do outro lado, a Inglaterra avançou como líder do Grupo L, com sete pontos — duas vitórias (Croácia e Panamá) e um empate sem gols contra Gana. Os ingleses contam com uma geração repleta de estrelas: Harry Kane, Jude Bellingham, Bukayo Saka e Marcus Rashford são alguns dos nomes que podem decidir a partida.

O tabu que a RDC quer quebrar

A Inglaterra defende um tabu histórico em Copas do Mundo: nunca perdeu para uma seleção africana em Mundiais. Em oito confrontos contra equipes do continente, foram cinco vitórias e quatro empates — curiosamente, todos os empates terminaram em 0 a 0.

O mais recente deles aconteceu justamente nesta edição, diante de Gana. O empate sem gols mostrou que as seleções africanas são capazes de neutralizar o poder ofensivo inglês. A RDC tenta agora dar um passo além: vencer e escrever um novo capítulo na história do futebol africano.

A seleção da diáspora

A RDC que enfrenta a Inglaterra é, em muitos aspectos, uma seleção construída pela diáspora africana. Dos 26 convocados, a maioria nasceu fora do Congo — principalmente na França, Bélgica e Inglaterra. O atacante Yoane Wissa, autor de três dos quatro gols congoleses na Copa, nasceu na França. O lateral Aaron Wan-Bissaka, que defendeu a Inglaterra nas categorias de base, nasceu em Londres. O zagueiro Axel Tuanzebe também passou pelas seleções de base inglesas.

A convocação congolesa evidencia um fenômeno crescente no futebol africano: atletas nascidos ou formados na Europa optam por representar o país de origem de suas famílias, fortalecendo tecnicamente as seleções do continente.

O fenômeno não é exclusivo da RDC. A África classificou nove das dez seleções que levou ao Mundial, o melhor aproveitamento entre todos os continentes. Cinco dessas seleções: África do Sul, Costa do Marfim, Egito, RD Congo e Cabo Verde passaram da fase de grupos pela primeira vez.

O peso da história

O confronto também carrega um forte simbolismo histórico. A Inglaterra foi uma das principais potências coloniais na África, enquanto boa parte do elenco congolês nasceu ou foi formada em países europeus. A França, antiga potência colonial na região do atual Congo, é o país de nascimento de vários jogadores da seleção.

O técnico da RDC, o francês Sébastien Desabre, resumiu o espírito da equipe:

“Nossa Copa do Mundo já é um sucesso em relação aos nossos objetivos. A pressão está sobre a Inglaterra.”

Do outro lado, o técnico inglês Thomas Tuchel reconhece o perigo. A Inglaterra tem desfalques importantes na lateral direita: Reece James e Jarell Quansah estão lesionados, e Djed Spence deve ser improvisado no setor. A RDC, por sua vez, deve adotar uma escalação mais defensiva, com três zagueiros, repetindo a formação que segurou Portugal no empate por 1 a 1.

A provável escalação da RDC tem Lionel Mpasi Nzau; Chancel Mbemba, Axel Tuanzebe e Steve Kapuadi; Aaron Wan-Bissaka, Noah Mukau, Samuel Moutoussamy, Edo Kayembe e Arthur Masuaku; Cédric Bakambu e Yoane Wissa. Pelo lado inglês, a tendência é: Pickford; Djed Spence, Ezri Konsa, Guéhi e O’Reilly; Declan Rice, Elliott Anderson e Bellingham; Rashford, Saka e Harry Kane.

A Lente BNB revela

A trajetória da República Democrática do Congo nesta Copa do Mundo ajuda a explicar uma das maiores transformações do futebol contemporâneo. Durante décadas, talentos africanos impulsionaram clubes e seleções europeias. Hoje, parte desses atletas e de seus descendentes escolhe representar os países de origem de suas famílias, fortalecendo seleções africanas e tornando o torneio mais equilibrado.

A RDC simboliza esse movimento. Seu elenco reúne jogadores formados em centros europeus, mas identificados com o país de seus pais e avós. O resultado é uma equipe mais competitiva e uma África cada vez mais presente entre as protagonistas do futebol mundial.

Mais do que um confronto entre Inglaterra e Congo, a partida representa o encontro entre diferentes capítulos da mesma história: a diáspora africana, que durante décadas fortaleceu o futebol europeu, agora também impulsiona o crescimento das seleções do continente. Independentemente do resultado, essa transformação já alterou o equilíbrio do futebol de seleções.


Fontes consultadas

ge: Inglaterra x RD Congo: onde assistir ao vivo, horário e escalações (01/07/2026)
ge: Inglaterra nunca perdeu para africanos em Copas; veja retrospecto (01/07/2026)
Trivela: Por que a RD Congo pode assustar a Inglaterra na Copa do Mundo 2026 (30/06/2026)
Gazeta Esportiva: Inglaterra x RD Congo pela Copa do Mundo: veja prováveis escalações e onde assistir (01/07/2026)
CNN Brasil: Inglaterra x RD Congo: horário e onde assistir à Copa do Mundo (01/07/2026)

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